Debate sobre ordenação de homens casados será retomado pelo Vaticano, diz relator do Sínodo da Amazônia

Leandro Prazeres

BRASÍLIA - O relator-geral do Sínodo da Amazônia, cardeal Dom Cláudio Hummes, disse que a proposta de ordenar homens casados como padres em regiões isoladas da Amazônia, rejeitada pelo Papa Francisco, será retomada pelo Vaticano. A declaração foi dada durante entrevista coletiva nesta quarta-feira, mesmo dia em que o documento final do Sínodo foi divulgado.

— Essa questão deverá ser trabalhada agora com o Papa (Francisco), nas instâncias da Santa Sé. Será retomado (o debate) — afirmou Hummes.

A ordenação de homens casados foi uma das propostas aprovadas no Sínodo da Amazônia, realizado no ano passado, no Vaticano. O argumento dos defensores da medida é que ela permitiria ampliar a presença da Igreja Católica na região amazônica, atualmente prejudicada pela falta de padres e pelo aumento da presença das igrejas evangélicas.

Apesar de a proposta ter sido aprovada e contar com relativa simpatia do Papa Francisco, o sumo pontífice não incorporou a mudança ao documento final do Sínodo, chamado de Exortação.

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Walmor Oliveira, disse que apesar de não constar da Exortação, a ideia de ordenar homens casados na Amazônia não será abandonada. Segundo ele, a questão não chegou ao fim de um "percurso".

— O papa determinou que se faça estudo e atualização do documento que diz respeito às questões de ministério na Igreja. Esse documento é de 50 anos atrás [...], estamos em curso. Não estamos no final de um percursos, mas estamos em um caminho — disse Dom Walmor.

Leia mais: Debate sobre ordenação de homens casados pela Igreja deve ficar em segundo plano, diz especialista em religião

A decisão de não incorporar a ordenação de homens casados foi vista como um recuo do Papa Francisco, sobretudo diante da polêmica em torno da publicação, em janeiro, de um livro no qual o papa emérito Bento XVI aparecia como co-autor e que fazia uma crítica a essa possibilidade. Após o constrangimento causado pelo publicação, Bento XVI pediu que seu nome fosse retirado do livro.