Debate sobre vacinação infantil aproxima oposição nas redes e ultrapassa grupo contrário à decisão

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O debate sobre a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) da vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos, no último dia 16, aproximou grupos de esquerda, centro-direita e não-alinhados ao governo federal nas redes, aponta levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV / DAPP). Segundo a pesquisa, os ataques de apoiadores do governo à decisão da agência, e consequente pressão sobre os seus servidores, mobilizou críticas de partidos como PSB, PSOL, PT, Podemos e PSDB.

A análise mostra ainda que a base bolsonarista obteve sozinha o maior número de interações, com 44% do total, e de perfis engajados, com 40% do total. No entanto, os outros três grupos que se posicionaram de forma oposta no debate juntos ultrapassaram as movimentações contrárias à vacinação — com 47,7% das interações totais e 47,3% dos perfis.

O levantamento, feito entre os dias 16 e 22 de dezembro, identificou mais de 211,8 mil publicações no Twitter, e constatou um pico de mais de 40 mil menções ao tema da vacinação infantil no dia 17, logo após a decisão da Anvisa. Até o dia 22, o debate continuou intenso na rede, com um volume acima de 20 mil menções por dia.

Na análise, a FGV / DAPP ressaltou que os grupos favoráveis à inclusão do público pediátrico na campanha de vacinação têm uma forte interação entre si. São eles o grupo verde, que representa a centro-direita com nomes como os pré-candidatos à Presidência Sergio Moro (Podemos) e João Doria (PSDB); o amarelo, que representa perfis não-alinhados como cientistas e divulgadores científicos, e o grupo vermelho, que representa a esquerda com perfis de apoiadores do PT e do PSOL.

Ao mesmo tempo, o grupo azul, composto por contas alinhadas ao governo federal, permaneceu isolado dos demais envolvidos no debate. De acordo com o levantamento, os principais argumentos deste grupo destacaram questionamentos sobre a segurança das vacinas para crianças e afirmaram que médicos seriam contrários à medida, apesar de diversas instituições, como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), terem se manifestado a favor.

Nesta segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro chegou a afirmar que sua filha Laura, de 11 anos, não será vacinada contra a Covid-19 e que espera não haver "interferência" do Judiciário na imunização de crianças.

Já os grupos de oposição ressaltaram a recusa do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em iniciar a imunização de crianças como um gesto de irresponsabilidade, com duras críticas ao governo federal. Entre os principais pontos levantados por cientistas, médicos e divulgadores científicos, estava a politização de um debate técnico com, por exemplo, a criação de uma consulta pública que está sendo realizada pela pasta da Saúde.

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