Debora Bloch fala de carreira e avalia a chegada dos 60: "Toda idade tem seu barato"

Deborah Bloch no programa de Serginho Groisman. (Divulgação/Globo)
Deborah Bloch no programa de Serginho Groisman. (Divulgação/Globo)

"Mar do Sertão", novela das 18h da Globo; "Meu amigo Bussunda", "Mulheres espetaculares" e "Diário de um confinado" (Globoplay) são as mais recentes produções de que Debora Bloch faz e fez parte na televisão e no streaming. Todas elas com uma singularidade: tratam de Brasil. Seja via comédia lúdica da arte regional da novela atual, seja na homenagem a um grande humorista nacional, as mulheres do país ou à forma como uma parte da população viveu algumas fases da pandemia.

"Cada vez fica mais claro para mim que nossa função como artista é falar do nosso país, da gente. Isso pode ser feito de várias maneiras. Da lúdica de "Mar do Sertão" ou através da comédia de "Diário de um confinado", como a gente fez na pandemia, com o Bruno Mazzeo. Ou em "Segunda chamada", que tratava de uma realidade bem dura e de um assunto tão importante que é a educação carente no Brasil. É a nossa função: falar da gente, representar o país. Me lembro de quando fiz "Segunda chamada". No trabalho de pesquisa, comecei a ir a escolas de EJA (Educação para Jovens e Adultos), às periferias. Eu tinha o desejo de que as professoras se sentissem representadas realmente por aquela personagem. Meu maior prazer foi o retorno que as professoras me deram".

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Na novela de autoria de Mario Teixeira e com direção de Allan Fiterman, Debora Bloch representa a elite apegada a privilégios e disposta a falcatruas para preservá-los. Nos próximos capítulos, tentará seduzir Pajeú, capanga interpretado por Caio Blat, para atingir objetivos escusos:

"Deodora vai começar a ter um caso com o personagem dele. Ela é bem vilã de novela (risos). É divertido de fazer porque ela tem humor e uma coisa meio safada, de ir conseguindo o que quer através da sedução. Eu acho engraçada. E encontrar Caio nesse trabalho foi uma coincidência boa. Ele me chamou para fazer "O debate", primeiro filme que dirigiu. E isso foi logo antes da novela. Mas não sabíamos que iríamos contracenar porque meu núcleo era outro."

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Sair da frente das câmeras e exercitar o olhar de diretora foi algo que Debora também conheceu recentemente. Em "Diário de um confinado", estrelada por Bruno Mazzeo, ela colaborou com Joana Jabace, que, com dois filhos gêmeos em casa na pandemia e na função de diretora principal, precisou de ajuda da vizinha interessada em participar do projeto.

"Trabalhar na direção foi uma coisa que tive vontade de fazer, mas requer um tempo de dedicação que ainda não consegui. Eu teria que parar de trabalhar um tempo como atriz para poder fazer como quero. É algo de que gosto muito. O tempo de trabalho traz essa experiência, esse conhecimento, que, apesar de diferente, estar presente (atuando) 42 anos num set é uma coisa que você vai aprendendo. Apesar de diferente, isso me interessa. Mas... Na pandemia, quando eu vi que Joana e Bruno iam fazer o projeto em casa, e eu tinha acabado de trabalhar com a Joana em "Segunda chamada", disse: "Opa, sou vizinha e a gente pode fazer uma cena na escada (respeitando o distanciamento)". Foi um projeto bem especial", lembra a mineira, de 59 anos.

A atriz também curte a experiência de conhecer as possibilidades da vida digital. Com meio milhão de seguidores no Instagram, ela compartilha recortes de trabalhos e opiniões sobre temas contemporâneos, da arte ao futebol e seus novos ídolos.

"Até que eu tenho bastante seguidores na rede social. Porque não sou muito ativa. Não sou muito dedicada. Eu me dedico pouco, mas eu acho que é legal esse lado de a gente poder falar do que interessa. Na rede social tem muita bobagem, exercício de ego... Eu achei incrível o Richarlison (jogador da seleção) fazer os gols da estreia do Brasil na Copa do Catar. Não só porque foram lindos, não só porque ele arrebentou, mas pela pessoa que ele é. Eu acho que faz tanta diferença quando você vê um artista ou um esportista que você admira no palco e no campo e passa a admirar a pessoa em seus posicionamentos também", elogia.

Família Tertúlio. (Foto: Paulo Belote/Globo)
Família Tertúlio. (Foto: Paulo Belote/Globo)

Para Debora, comemorar coletivamente grandes passos no esporte e na cultura é importante. Os mais de 40 anos de trabalho pela arte brasileira, no entanto, ainda não viraram tema de um projeto que jogue luz em si mesma. Ao comentar por que não pensou em comemorar seus 60 anos com holofotes sobre a própria trajetória, ela, simpaticamente e com voz suave, explica:

— Não é um objetivo meu. Nem pensei nesse assunto (risos). Você falou agora e eu pensei: "Oi?!". Eu aprendi que... Vêm os 30, os 40, depois os 50, os 60, os 70. Eu não sou muito comemorativa de ciclos. Eu acho que... Sei lá. Toda idade tem o seu barato.