Decisão do Congresso dos EUA pode adiar missão à lua de Júpiter para 2030

Daniele Cavalcante
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Os prazos da NASA para lançamentos de suas missões espaciais estão ficando cada vez mais apertados. É que agora, além do Programa Artemis (previsto para enviar novos astronautas à Lua até 2024), a agência espacial deverá obedecer uma lei aprovada no Congresso e enviar a sonda robótica Europa Clipper para orbitar uma das luas de Júpiter utilizando o mesmo foguete projetado para as missões Artemis — que ainda nem está pronto.

Bem, a Europa Clipper é uma missão oficializada em 2019 e que já está em desenvolvimento. Consiste em um orbitador que estudará a lua Europa, de Júpiter, e investigará os sinais da existência de um oceano subterrâneo por lá, com o objetivo de saber se o lugar pode sustentar as formas de vidas que conhecemos. Inicialmente foi previsto um lançamento em junho de 2023, mas a NASA já anunciou que a missão deve sofrer algum atraso.

O foguete citado pelo Congresso é o Space Launch System (SLS), que foi projetado para ser o maior e mais poderoso lançador espacial da história da NASA, e será o responsável por levar os astronautas para a Lua todos os anos a partir de 2024. Entretanto, o SLS, que deveria ter iniciado seus testes em 2020, já sofreu vários atrasos devido a “desafios técnicos”. A NASA conta com a Boeing para ajudar na fabricação de alguns elementos, mas mesmo com todas as equipes envolvidas, a previsão atual para o primeiro voo é para o final de 2021.

Seção central do Space Launch System (SLS) em transporte para Stennis (Imagem: Reprodução/NASA)
Seção central do Space Launch System (SLS) em transporte para Stennis (Imagem: Reprodução/NASA)

Se isso já representa uma preocupação considerável em relação ao prazo para pousar astronautas na Lua até 2024, a mais recente decisão do Congresso estadunidense pode elevar ainda mais os níveis de apreensão dos engenheiros e administradores da NASA e da Boeing. De acordo com o chefe da NASA Jim Bridenstine, a agência espacial tem agora “um requisito por lei” para que o lançamento da sonda Europa Clipper seja feito no SLS.

Para complicar ainda mais, o lançamento da Europa Clipper possui uma janela bastante específica de lançamento. Como ela visitará uma das luas de Júpiter, a NASA deve programar tudo para que o lançamento ocorra em uma época em que a Terra está próxima do planeta gasoso — e a época será entre 2022 e 2025. Em outras palavras, se não for possível lançar o foguete até lá, a NASA terá que esperar até 2030 para que uma nova janela esteja disponível.

Independente das motivações do Congresso ao estabelecer essa determinação, trata-se de um problema sério de programação, já que a NASA não pode fabricar um novo foguete SLS tão rápido. Só para o estágio central, localizado no coração do foguete, a Boeing precisa de mais de um ano de preparação e três anos para a fabricação testes, de acordo com um documento da NASA. Isso significa que mesmo se a NASA assinasse seu próximo contrato hoje, o foguete resultante provavelmente não estaria pronto para voar até 2025.

Não é que a NASA e a Boeing só consigam produzir um foguete de cada vez. Na verdade, mais de um já está sendo fabricado, pois o Programa Artemis exigirá alguns lançamentos antes de pousar os astronautas na superfície lunar. O contrato inicial NASA-Boeing cobre os estágios principais para as missões Artemis 1 e 2 — a primeira será não-tripulada, enquanto a segunda será um voo tripulado sem pouso na Lua; os astronautas pisarão no solo lunar apenas na missão Artemis 3.

Capacidades dos modelos do SLS (Imagem: Reprodução/NASA)
Capacidades dos modelos do SLS (Imagem: Reprodução/NASA)

Todas essas missões deverão utilizar um SLS, mas apenas em outubro de 2019 foi assinado um acordo para transferir dinheiro para a Boeing começar a trabalhar em um terceiro estágio central. Por fim, foi assinado o contrato completo para os estágios principais de até 10 missões Artemis, que deveriam ser finalizados dentro de um ano. Bem, tudo isso poderia permitir à Boeing e à NASA o cumprimento do cronograma de 2024 para a missão Artemis 3, mas ninguém contava com a necessidade de lançar a Europa Clipper em um desses foguetes.

A NASA está priorizando o Artemis 3, e se a Europa Clipper depender do SLS, terá que esperar sua vez de voar. De acordo com Bridenstine, a NASA agora está “planejando construir a Europa Clipper e, em seguida, armazená-lo, porque não teremos um foguete SLS disponível até 2025”. É uma péssima notícia principalmente para a equipe responsável pela missão Clipper, que planejava ter a espaçonave pronta para o lançamento no início de… 2024, o mesmo ano do pouso na Lua.

Tecnicamente, a sonda poderia ser enviada à Lua de Júpiter em um foguete comercial, como o Falcon Heavy da SpaceX, mas a legislação não parece querer dar espaço para a parceria entre a NASA e o setor privado neste caso específico. Portanto, se os legisladores não mudarem de ideia, a missão na lua de Júpiter será adiada para, provavelmente, 2030. “Não acho que seja o plano certo, mas vamos seguir a lei”, disse Bridenstine.

Joel Graham, funcionário do Comitê de Comércio, Ciência e Transporte do Senado, apoiou a decisão, e sugeriu que a responsabilidade seja direcionada às empresas responsáveis pela fabricação das peças do SLS. “Eu certamente espero que nossos fornecedores possam atender a isso [ao prazo] e fornecer o veículo", disse ele. “Acho que todos podemos concordar que [o SLS] é o melhor veículo para enviar [a Clipper]”.

Fonte: Canaltech

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