'Decisão deixa Exército em situação inédita de submissão', diz Carlos Fico

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BRASÍLIA — Especialista em estudos sobre a ditadura militar, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Fico avalia que a decisão do Exército de arquivar o procedimento administrativo que havia sido instaurado contra o ex-ministro e general da ativa Eduardo Pazuello por participar de um ato ao lado do presidente Jair Bolsonaro coloca as Forças Armadas em uma inédita posição de submissão.

O historiador credita a não punição a Pazuello — ocorrida após pressões de Bolsonaro, que nomeou o ex-ministro para um cargo no Palácio do Planalto esta semana — ao envolvimento que ele chama de "promíscuo" das Forças Armadas, sobretudo do Exército, no governo Bolsonaro. Para ele, a decisão dá uma sinalização perigosa não só para os oficiais como para as Polícias Militares, que se sentirão autorizadas a adotar posicionamentos políticos, além de colocar em descrédito o atual comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.

Já houve, na história do Exército, algum outro episódio que se assemelhe à decisão do comando de isentar o general Eduardo Pazuello de qualquer punição por participar do ato político com o presidente Jair Bolsonaro?

Que eu me lembre, não. Embora sempre tenha havido na história brasileira muita manifestação de oficiais, generais, ministros. Já houve, claro, o caso do coronel Bizarria Mamede em 1955, quando ele se manifestou contra a posse do presidente eleito Juscelino Kubistchek. O ministro do Exército tentou puni-lo, mas quem impediu foi o presidente da época, Carlos Luz. Isso foi inclusive o que levou a toda aquela situação crítica que culminou com o afastamento do presidente Carlos Luz, justamente porque o ministro queria punir.

(Confira a íntegra da reportagem exclusiva para assinantes)

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