Decisão do PSB fragiliza governo para Previdência, diz vice-líder do DEM

BRASÍLIA (Reuters) - A decisão do PSB de fechar questão contra a reforma da Previdência fragiliza o governo na tarefa de buscar apoio à proposta, afirmou nesta quarta-feira o vice-líder do DEM na Câmara dos Deputados, Onyx Lorenzoni (RS).

"O governo não tem os votos para aprovar a reforma da Previdência", disse.

Apesar de compor a base aliada, Lorenzoni avaliou que houve falha de comunicação por parte do Executivo na divulgação da reforma e que os parlamentares continuam pressionados nas ruas para se posicionar contra a proposta que endurece o acesso à aposentadoria.

Já o líder do PHS na Câmara, deputado Diego Garcia (PR), disse acreditar que a "grande maioria" dos deputados do seu partido votará contra a proposta, mas que o fechamento de questão ainda não foi definido.

"O governo quer tratorar as votações e não é dessa forma que se constrói um texto que ganhe a compreensão da sociedade e tire as dúvidas", afirmou o líder do PSH, legenda que também compõe a base do governo e conta com sete deputados na Câmara.

Segundo o deputado Julio Delgado (PSB-MG), deputados de outros partidos avaliaram que o fato do PSB ter fechado questão contra a reforma, mas ter continuado à frente do Ministério de Minas e Energia com Fernando Coelho Filho, acabou abrindo margem para que outros façam o mesmo, pela ausência de punição.

Uma fonte do PSB, que pediu anonimato, entende que a decisão da legenda de fechar questão contrária à reforma da Previdência e trabalhista não deve ser revista, apesar de haver movimentos dentro do partido neste sentido.

"A revisão me parece impossível... Também envolve uma disputa interna", afirmou a fonte.

A decisão do governo, pelo menos por enquanto, é manter o ministro do PSB e trabalhar com a parte da bancada socialista que diz apoiar as reformas.

O governo, que já esperava pela decisão do PSB, aposta na divisão do partido para ganhar parte de seus votos, mesmo com a decisão da Executiva Nacional de fechar questão contra a proposta.

Mais cedo, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou que o fato de o PSB ter optado por fechar questão contra as reformas da Previdência e trabalhista não afetará outros partidos, mas reconheceu que ainda será necessário fazer um trabalho de entendimento junto à base parlamentar para as medidas propostas da reforma previdenciária.

Os mercados financeiros reagiram mal à decisão do PSB, com o dólar e os DIs subindo, com temores de que a reforma da Previdência possa não ser aprovada.

(Por Marcela Ayres; Reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)