Declínio demográfico: uma dor de cabeça em Itália

No conjunto da União Europeia (UE), Itália é o país que tem a maior parte da população com mais de 65 anos.

De acordo com os especialistas, o declínio populacional em Itália é uma questão-chave que precisa de ser abordada de forma premente. Dizem que o futuro do país depende muito disso, em particular de como inverter essa tendência.

Pela primeira vez na história do país desde 2015, a população da Itália perdeu cerca de 1 milhão de habitantes e a previsão para o futuro próximo parece sombria.

Por outras palavras, não só a população total vai encolher nos próximos anos, como o número total de jovens será reduzido significativamente. Algo que, a confirmar-se, terá um enorme impacto na produtividade e no crescimento económico do país.

A manter-se este cenário estão em perigo os sistemas de pensões e de saúde.

Mas quais são, afinal, as razões?

“Itália tem a menor taxa de participação feminina no emprego a nível europeu. Atualmente, é de cerca de 57%. Na Alemanha, é de cerca de 75% e na Suécia está acima de 81%. Por que é que estou a dizer isto? Porque vários estudos provaram que se a mulher conseguir trabalhar vai ter mais filhos. Não poder trabalhar torna as mulheres menos seguras do ponto de vista financeiro e não as encoraja a constituir família”, sublinhou, em entrevista à Euronews, Massimiliano Valerii, diretor-geral do instituto de investigação socio-economica “Censis.”

O declínio demográfico está à cabeça das preocupações do programa eleitoral da formação Irmãos de Itália.

O novo executivo de direita criou o ministério das Famílias e olha para a natalidade como a cura dos males.

“Ter uma baixa taxa de fertilidade é uma questão que não pertence à direita ou à esquerda política. É uma emergência nacional. Temos que colocar as mães trabalhadoras de volta ao centro de qualquer decisão política. Elas devem ser apoiadas pelas políticas económicas corretas. Algo que não aconteceu nos últimos anos”, denunciou Lavinia Mennuni, senadora da formação Irmãos de Itália.

Os especialistas alertam que não bastam só medidas financeiras para inverter o declínio da natalidade.

“São precisas várias gerações para reverter a tendência porque o número total de mulheres férteis diminuiu ao longo do tempo e isso leva-nos à importância de aproveitar a imigração como mais uma possibilidade perante esse problema”, ressalvou Massimiliano Valerii, diretor-geral do “Censis.”

A pandemia de Covid-19 e a fuga de cérebros do país são fatores decisivos para o problema. Uma crise silenciosa quem tem sido subestimada e dá sinais de alarme.