Declaração final da Conferência dos Oceanos pede mais ambição para preservar os mares

AP - Armando Franca

A preservação dos oceanos exige "mais ambição" dos dirigentes do planeta, de acordo com as conclusões da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que aconteceu nesta semana em Lisboa, antes das últimas negociações previstas em agosto, sobre a governança em alto mar.

"É preciso mais ambição em todos os níveis na resposta à situação desastrosa do oceano", resume a declaração adotada na sexta-feira (1), após cinco dias de debates dedicados à saúde frágil dos oceanos. Cerca de 7 mil representantes participaram do evento, incluindo especialistas e militantes.

"A perda da biodiversidade, a saúde dos oceanos e a evolução da crise climática acontecem pelo mesmo motivo: o comportamento humano e nossa dependência ao gás e ao petróleo", disse o enviado especial para o oceano das Nações Unidas, Peter Thomson.

"Os mares, que cobrem mais de dois terços da superfície do planeta, geram a metade do oxigênio que nós respiramos e têm um papel fundamental para a vida na Terra e o impacto das mudanças climáticas", acrescentou.

Absorvendo cerca de um quarto da poluição de CO2 — e isso levando em consideração um aumento de 50% das emissões nos últimos 60 anos — o mar se tornou mais ácido, desestabilizando as cadeias alimentares aquáticas e reduzindo a capacidade de captar mais gás carbônico.

A reunião de Lisboa não foi organizada para tomar decisões concretas, mas para preparar encontros importantes até o final do ano. O primeiro deles acontecerá em agosto, em Nova York, sobre um tratado de proteção da biodiversidade em alto mar, além das jurisdições nacionais.

Pressão aumenta para certos países

O representante da ONU se disse "confiante" na capacidade da comunidade internacional a fechar um acordo que possa ser adotado no próximo mês. De acordo com Tiago Pitta e Cunha, chefe da fundação portuguesa Oceano Azul, a pressão aumentou para os países "menos interessados na criação de um mecanismo de proteção efetivo para o alto mar", disse.

"Se as palavras pudessem salvar os oceanos, eles não estariam à beira da ruptura. Quando os governos se reunirão em agosto nas Nações Unidas, deverão concluir um tratado de peso sobre os oceanos", comentou Laura Meller, da ONG ecologista Greenpeace.

Outros encontros importantes sobre o assunto estão previstos: em novembro, acontece a COP27, a Conferência da ONU para o clima, no Egito, e em dezembro o Canadá sedia outra reunião — a COP15, a conferência das Nações Unidas sobre a diversidade.

As discussões em Lisboa também analisaram o problema da pesca ilegal, uma semana depois da Organização Mundial do Comércio avaliar uma possível proibição parcial das subvenções para o setor.

Os oceanos terão, em 2050, a mesma quantidade de plástico e de peixe se a poluição não for controlada. A exploração mineral submarina também foi tema de discussões, e alguns países defendem uma moratória da atividade.

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