Declaração de Lula sobre falta de apoio a Boulos gera crise no PT

Sérgio Roxo
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SÃO PAULO. A declaração do ex-presidente Lula, em que responsabiliza o candidato petista Jilmar Tatto por não apoiar Guilherme Boulos (PSOL), confirmando uma discussão realizada pela cúpula na última terça-feira, provocou uma crise dentro da sigla no dia da eleição municipal. A fala foi criticada em grupos de Whatsapp de petistas e entendida por alguns como uma defesa do voto útil.

Dirigentes e parlamentares entendem que Lula tentou se dissociar do mau desempenho de Tatto e, ao mesmo tempo, fazer um gesto para Boulos, que teria validade mesmo se o candidato do PSOL não passar para o segundo turno.

Um desses dirigente afirma que Lula quer atrair Boulos, agora vitaminado pelo bom desempenho na eleição paulistana, de olho na disputa presidencial de 2022. Segundo esse petista, seria essa uma demonstração de que o ex-presidente coloca seu projeto político acima de qualquer outro interesse. Lula tenta conseguir no Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação de sua condenação no caso do tríplex do Guarujá Lava-Jato, que o torna atualmente inelegível.

Em um texto que circulou entre petistas envolvidos na campanha de Tatto, Valter Pomar, integrante do diretório nacional e líder da corrente articulação de esquerda, afirma que "Lula está muito errado".

"Acho lamentável e vergonhoso que Lula tenha dito isso neste momento, quando a votação ainda está em curso", afirma.

Pomar argumenta que Lula, como maior nome do partido, não pode tomar uma decisão que envolve a legenda de forma individual. "Por ação ou por omissão, ele (Lula) é o principal responsável pela tática adotada pelo PT paulistano nas eleições de 2020. Uma vez adotada esta tática, ela passou a ser a tática do partido. E só o partido, através de suas instâncias democráticas, poderia alterar esta tática. Nem o candidato, nem a presidenta nacional, nem o presidente estadual, nem o Lula, poderiam alterar esta tática.Decisões monocráticas são uma herança feudal."

Apoiadores de Tatto tem criticado a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, por ter feito a reunião de terça-feira. A dirigente pretende acompanhar a apuração da eleição na noite deste domingo em São Paulo. A ideia de Gleisi, segundo os aliados do candidato petista, seria anunciar o apoio a Boulos ainda nesta noite, se o candidato do PSOL passar ao segundo turno. Diante do mal-estar provocado pelos movimentos da última semana, o grupo envolvido com a campanha de Tatto, porém, resiste a declarar uma adesão imediata ao nome do PSOL.