Declaração de secretário-geral da OEA sobre suspensão da Venezuela tem simpatia do Itamaraty

Por Lisandra Paraguassu

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O Itamaraty evitou comentar as declarações do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) de que a Venezuela poderia ser suspensa se não marcasse eleições para este ano, mas fontes diplomáticas disseram à Reuters que a iniciativa do secretário-geral está sendo bem vista.

"É algo que faz sentido: se a Venezuela não fizer as eleições que estavam programadas, não pode ser considerada democrática", disse uma fonte que acompanha a situação no país vizinho.

Formalmente, o Itamaraty informou que ainda está analisando o informe apresentado por Luis Almagro e "não se pronunciará neste momento sobre o tema".

A tendência do Brasil, no entanto, é apoiar a posição do secretário-geral, afirmou uma outra fonte. A posição do governo brasileiro é bastante crítica à democracia venezuelana.

Almagro propôs na terça-feira a suspensão da Venezuela da OEA, caso o governo socialista não realize eleições gerais o "mais breve" possível.

Esta semana, um dos partidos de oposição da Venezuela conseguiu cumprir as regras determinadas pela corte eleitoral - dominada por partidários do governo - para participar das eleições para prefeitos e governadores no final deste ano.

No entanto, há algum ceticismo sobre se a oposição será realmente mantida no pleito ou serão criadas novas regras de ocasião. "Há sempre um risco de tentarem fazer a eleição depois de excluírem os partidos de oposição", disse a primeira fonte.

Como secretário-geral, Almagro tem a prerrogativa de chamar uma votação para analisar a situação da Venezuela, mas a avaliação no Itamaraty é que ele só deve fazê-lo de fato se tiver condições de saber o resultado.

Apesar de estar em uma situação complicada, os venezuelanos ainda têm a simpatia de alguns países e uma votação estaria meio a meio hoje, diz uma fonte. Na América do Sul, Bolívia e Equador são governos aliados de Nicolás Maduro. Somam-se a eles pequenos países caribenhos a quem, até hoje, a Venezuela vende petróleo subsidiado ou troca por outros bens.

Para que a Venezuela seja suspensa, dois terços dos 34 países que integram a OEA devem votar a favor da medida.