Defensoria Pública cobra melhoria na comunicação entre hospitais e familiares de pacientes internados

Geraldo Ribeiro

RIO — A Defensoria Pública do Rio de Janeiro está elaborando um documento para encaminhar aos gestores de saúde — no caso, as secretarias municipais e estadual —, com uma recomendação cobrando por melhoria no canal de informação entre os hospitais e familiares de pacientes internados. Desde a semana passada, quando as visitas foram suspensas nas unidades, o órgão viu crescer as reclamações de familiares sobre a dificuldade de ter acesso aos boletins médicos.

— Estamos elaborando uma recomendação que será encaminhada aos gestores, e vendo a possibilidade de encaminhar para as unidades, pedindo que se construa um canal de informação junto aos familiares. Isso é necessário porque existe uma nota técnica da Secretaria estadual de Saúde suspendendo a visitação e acompanhantes desses pacientes — explicou Alessandra Nascimento, subcoordenadora de Saúde e Tutela Coletiva da Defensoria.

O canal, segundo ela, pode ser uma central telefônica à qual os familiares cadastrados teriam acesso aos boletins. Alessandra Nascimento disse que algumas unidades adotaram um sistema de informações por Whatsapp, mas não estaria funcionando a contento.

Parentes de pacientes que estão internados no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, com suspeita de Covid-19, alegam que mesmo a unidade tendo adotado o sistema de mensagens via Whatsapp não estão recebendo as informações sobre o quadro do paciente. Luciana Amancio de Carvalho alega não ter notícias do estado de saúde da avó Guilhermina Maria Amancio, de 79 anos, desde o último sábado.

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A idosa deu entrada na unidade na quarta-feira da semana passada com pico hipertensivo e convulsões. Um médico teria dito à família que havia suspeita de contaminação pela Covid-19, mas não tinha como testar. Ela foi submetida a uma tomografia que não teria acusado a doença, mas mesmo assim colocada em isolamento junto a outros doentes, segundo os parentes

— Estamos desesperados sem notícias da minha avó. O hospital não dá informações há três dias. Procuramos vários órgãos e nada. Pode um hospital manter uma idosa de 79 anos presa sem sabermos o que acontece lá dentro? Eu deixei minha avó dentro de um sala vermelha tendo convulsão. Desde então fui expulsa do hospital sem saber mais. Já faz sete dias (da internação). Que aflição! Não consigo dormir nem comer. Minha avó deve estar achando que a família a abandonou lá — relatou Luciana, que também buscou ajuda pelo serviço 1746, da prefeitura, sem sucesso.

Mathias Delazeri está com o pai, Leandro, de 53 anos, internado desde quinta-feira no Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, na Zona Oeste. Ele também se queixa da falta de informações. O rapaz contou que o pai foi internado com febre e leve falta de ar.

— O hospital até hoje não fez nenhum contato formal para nos passar uma posição detalhada do caso. Já procuramos contato por telefones e fomos até lá, sem sucesso. Estamos apreensivos. Sabemos que todos os hospitais estão sobrecarregados, as equipes com várias baixas e o número de atendimento fora do normal. Ainda assim entendemos que os governos (municipal, estadual e federal) precisam tomar alguma medida para passar alguma informação aos familiares — cobrou Mathias.

A secretaria Municipal de Saúde informou, por meio de nota que, reconhece a necessidade de ajustes e pede desculpas pela dificuldade encontrada por alguns familiares para obter informações de pacientes internados. Informou ainda que a direção do Hospital Salgado Filho entrará em contato com os familiares da paciente Guilhermina para passar as informações sobre seu estado de saúde.

"No dia 17/04/20 foi publicada nota técnica no Diário Oficial com recomendação para todas as unidades de saúde sobre como fornecer informações dos pacientes para os familiares após a suspensão das visitas. A medida vale para todos os internados e não apenas para casos de covid19. Devido a pandemia, as visitas foram suspensas para evitar o risco de contágio e todas as unidades de saúde tiveram que implantar um sistema de informações, com cadastro dos familiares. O serviço começou a funcionar no dia 20 de abril. A SMS está atenta às necessidades das famílias afastadas dos seus entes e está cobrando da direção de todas as unidades maior eficiência no serviço de apoio", diz a nota da secretaria.