Defensoria Pública da União pede que indígenas participem de buscas por desaparecidos no AM

BRASÍLIA - A Defensoria Pública da União (DPU) pediu à Polícia Federal (PF) a criação de um "gabinete de crise" para ajudar nas buscas do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Philips, desaparecidos desde domingo no Amazonas. A DPU quer que o gabinete tenha a participação da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), além de vários órgãos oficiais, e que ao menos um indígena acompanhe cada embarcação oficial que trabalha na busca. Pereira era alvo constante de ameaças por combater a invasores como pescadores, garimpeiros e madeireiros.

A DPU atua numa ação na Justiça do Amazonas em que foi determinado ao governo federal disponibilizar helicópteros, embarcações e equipes de buscas, sejam elas da PF ou das Forças Armadas. No ofício à PF, a DPU pediu o cumprimento das providências com a "máxima urgência". A Justiça também determinou que a DPU poderia requisitar diretamente providências urgentes e necessárias ao cumprimento da decisão.

No ofício, a DPU destacou que "quem efetivamente conhece a região são os povos originários (povos indígenas) que vivem na há milênios na região". Disse ainda que a Univaja "fez importantes apontamentos que devem ser observados pelas autoridades, pois só assim será possível encontrar com maior brevidade os desaparecidos". Segundo a DPU, "é fundamental que em cada embarcação oficial acompanhe, no mínimo, um indígena da Equipe de Vigilância da Univaja".

Entre os órgãos oficiais listados pela DPU que deverão participar do gabinete de crise estão o Exército, a Marinha, a Polícia Militar, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e Defesa Civil, além da própria PF. Segundo o ofício, o gabinete deve ser instalado no município de Atalaia do Norte (AM), onde estão concentrados os trabalhos de busca, e deverá se reunir pelo menos uma vez ao dia.

"Essa reunião é fundamental para alinhar as diversas buscas, pois as informações que chegam é que não há uma coordenação nas diversas buscas. Assim, para que se possa ter efetividade nas buscas é fundamental a ocorrência reuniões diárias de alinhamento e nivelamento de informações com todos os envolvidos. Só com uma sala de situação/gabinete de crise em Atalaia do Norte será possível encontrar Bruno Pereira e Dom Phillips", diz trecho do ofício enviado à Superintendência da Polícia Federal no Amazonas.

A DPU também disse ser fundamental que a balsa do Exército próxima ao local de buscas "seja mantida como estrutura de apoio, acampamento e segurança para os profissionais que estão trabalhando nas buscas bem como para os indígenas da Equipe de Vigilância da Univaja".

Procurada pelo GLOBO, a PF comunicou que não se manifesta sobre procedimentos de outros órgãos. Em nota divulgada na terça-feira, a PF informou ter enviado um helicóptero para auxiliar nas buscas: "Foi enviada mais uma aeronave com policiais federais e integrantes do Exército à região compreendida entre a frente de proteção etnoambiental itui-itauqai e o município de Atalaia do Norte, região noroeste do Amazonas."

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