Defesa Civil alerta para risco de deslizamentos e desabamentos em BH

Chuva em Belo Horizonte abriu crateras em diversos pontos da cidade

RIO — A Defesa Civil emitiu, nesta quarta-feira, alerta de risco geológico em Belo Horizonte. O orgão afirmou que a chuva pode causar a queda de muros, deslizamentos, escorregamentos, erosões, trincas e rachaduras por causa do grau de saturação do solo.

Uma forte chuva voltou a cair nas regiões Noroeste de Belo Horizonte e na Pampulha na manhã desta quarta-feira.

De acordo com o órgão, o aparecimento de trincas na parede, água empoçando no quintal ou minando na base de barrancos, portas e janelas emperrando, rachaduras no solo e inclinação de porte ou árvore são sinais de que aquele terreno não está seguro e pode sofrer um deslizamento. A Defesa Civil pede para que os moradores entrem em contato com o número 199, caso percebem algum dos sinais.

Autoridades do município e do Estado acompanham as consequências da chuva na capital mineira. Ao todo, morreram 13 pessoas desde o início do período de chuvas na cidade. No estado, o número já chegou a 58 neste ano.

Um levantamento dos gastos da prefeitura de Belo Horizonte em obras de combate a enchentes mostra que o poder público investe pouco em medidas preventivas que poderiam amenizar a tragédia vista nos últimos dias. Nos últimos sete anos, os governos do atual prefeito, Alexandre Kalil (PSD), e de seu antecessor, Márcio Lacerda (sem partido), destinaram, em média, apenas 20% do previsto em obras e ações contra alagamentos. A capital mineira é cidade que teve o maior número de mortes causadas pelo temporal: das 55 vítimas fatais em todo estado, 13 foram em BH.

No acumulado de 2013 a 2019, a cidade projetou despesas para ações de prevenção contra temporais que somam R$ 3,7 bilhões. Deste total, porém, apenas R$ 750 milhões foram empenhados, ou seja, precisam ser executados em obras e outras ações. Os números foram compilados pelo gabinete do vereador Gabriel Azevedo (sem partido) a pedido do GLOBO.

Os repasses da União também têm demorado. Segundo o Painel de Obras do Ministério da Economia, há pelo menos sete projetos que somam R$ 804 milhões e que são focados no combate a enchentes e deslizamentos no período de 2012 a 2015. Nenhum foi concluído — o mais avançado é uma intervenção de macrodranegem e está com execução de 84,2%.

Durante a madrugada, a Defesa Civil estadual alertou para a possibilidade de chuva intensa em outras cidades da Região Metropolitana, como Araçaí, Baldim, Belo Vale, Betim, Bom Jesus do Amparo, Bonfim, Brumadinho, Caetanópolis, Caeté e Capim Branco.