Defesa da democracia e da liberdade de imprensa dá o tom da 19ª edição do prêmio Faz Diferença

A defesa da democracia e da liberdade de imprensa, e também o incremento de iniciativas de diversidade e de proteção ao meio ambiente, deram o tom da 19ª edição do Prêmio Faz Diferença, concedido anualmente pelo GLOBO e a Firjan.

Na noite de quarta-feira (22), os premiados das 15 categorias se revezaram no palco da Casa Firjan, no Rio de Janeiro, em cerimônia apresentada pelos jornalistas e colunistas do GLOBO Miriam Leitão e Ancelmo Gois. Logo no início do evento, João Roberto Marinho, presidente do Conselho de Administração do Grupo Globo, afirmou a importância do jornalismo profissional na defesa da democracia.

- A diversidade é uma marca do Brasil e está presente no trabalho de muitos dos premiados. Temos urgência na defesa da democracia. Como mostramos, o processo eleitoral é confiável e motivo de orgulho para todos nós. Contem com o nosso jornalismo para ampliar as suas vozes - afirmou em seu discurso.

Vencedor do principal prêmio da noite, Personalidade do Ano, o Tribunal Superior Eleitoral foi representado pelos ministros Edson Fachin, atual presidente do TSE, e Luís Roberto Barroso, que presidiu o tribunal até fevereiro deste ano.

- A imprensa assume nas democracias modernas o papel de franquear a participação para além do voto, assim propiciando informação crítica, algo fundamental para uma sociedade livre e plural. A erosão da imprensa livre é a erosão da própria democracia - afirmou Fachin, acompanhado por Barroso no discurso de agradecimento.

- Destaco o papel do jornalismo para que cada pessoa forme a sua opinião. A liberdade de expressão não pode ser confundida com a imoralidade das notícias falsas. Uma mentira não é o outro lado da história - disse Barroso.

Aos 90 anos de idade e 70 de carreira, o jornalista Zuenir Ventura, premiado na categoria Livros, dedicou o Faz Diferença ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista Dom Philips, mortos na Amazônia. Zuenir cobriu, em 1988, o assassinato do seringueiro Chico Mendes - uma história que está contada no livro "Chico Mendes - crime e castigo", publicado por Mestre Zu em 2003.

- Constatar essa trágica ironia é muito triste. Queria dedicar, homenagear com este prêmio, o indigenista e o jornalista que morreram. A gente esperava que com Chico Mendes não teria mais assassinatos como este... - disse Zuenir.

O meio ambiente e a diversidade estiveram presentes também nos discursos de Alice Pataxó, que dividiu o prêmio na categoria País com Txai Suruí (as duas lideranças indígenas se destacaram durante a Cop-26, na Escócia) e de Patrick Sabatier, diretor de Assuntos Corporativos da L'Oréal Brasil, empresa premiada na categoria Diversidade pelo pré-vestibular Jenipapo Urucum, que prepara mulheres indígenas para ingressarem no ensino superior.

- Esse prêmio representa jovens que saíram dos seus territórios representando direitos coletivos e humanos. Sabemos o quanto o ativismo é perigoso, vivemos isto todo dia, mas sabemos o quanto é necessário - refletiu Alice Pataxó em seu discurso de agradecimento.

A empresária Luiza Helena Trajano, que liderou o movimento Unidos pela Vacina durante a pandemia de Covid-19, foi escolhida na categoria Ela. Trajano, que também é presidente do grupo Mulheres do Brasil, que defende uma maior participação feminina no mercado de trabalho, está engajada também na conquista de mais espaço para mulheres na política.

- Nosso grupo de mulheres somos um grupo político. Eu não saí candidata, não me filiei a partido, porque a gente acredita que a sociedade civil unida é que vai fazer a diferença - disse Trajano, mais uma premiada a reforçar a importância de eleições transparentes e seguras. - Nós vamos ter eleição, eu estive no Tribunal Eleitoral. Nós não podemos deixar acabar o nosso sistema eleitoral.

Também foram premiados com o Faz Diferença o apresentador Marcos Mion (categoria TV), o cartunista Mauricio de Sousa (categoria Audiovisual), o cantor Roberto Carlos (Música), a ginasta Rebeca Andrade (Esportes), a produtora Dona Rosa Filmes (Desenvolvimento do Rio), os servidores do Inep (Educação), o médico Renato Kfouri (Ciência e Saúde), a juíza Renata Gil (Mundo), o presidente do Banco Central Roberto Campos Neto (Economia) e o engenheiro Leniel Borel (Rio).

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