Defesa da democracia e 'doutrinação de esquerda' nas eleições americanas

RIO - Quem prestou atenção nos últimos discursos de Joe Biden e Donald Trump antes da eleição de meio de mandato nos Estados Unidos deve ter tido a sensação de já ter ouvido algo bem parecido recentemente no Brasil. Assim como Lula, o democrata conclamou os americanos a defenderem a democracia e as conquistas sociais de seu governo, enquanto o republicano pintou um panorama sombrio dos EUA sob o comando de Biden, falando em "doutrinação" de crianças nas escolas, assim como fez a campanha de Bolsonaro, e violência descontrolada.

Eleito em grande parte graças ao apoio da comunidade afro-americana, o presidente descreveu os republicanos como o partido que 'quer desfazer' os ganhos sociais dos governos democratas.

- Este é o momento de defender a democracia, que está em perigo - disse Biden, num momento em que há expectativa de vitória dos republicanos sobre os democratas, o que poderia abrir caminho para o retorno de seu antecessor à Casa Branca.

Por outro lado, Trump manteve o discurso agressivo de combate à violência e a uma suposta 'doutrinação' de esquerda nas escolas e disse que "o sonho americano" é que está em risco. Disse ainda que a população sofre com 'preços altíssimos' e criminalidade fora de controle.

- Um país onde preços altíssimos estrangulam as famílias, onde o crime violento está fora de controle e onde a extrema esquerda doutrina nossos filhos. Se você quer pôr fim à destruição do nosso país e salvar o sonho americano, vote nos republicanos - disse o milionário.

Os americanos vão às urnas hoje para renovar 435 cadeiras da Câmara de Representantes e um terço do Senado, além de eleger governadores e cargos municipais que decidem as políticas de Estado sobre aborto e regulação ambiental, por exemplo, temas que, assim como no Brasil, também põem os dois grupos políticos em lados opostos.