Defesa de Eduardo Bolsonaro cita 'dicionário de emojis' em ação movida por herdeiros de Marisa Letícia

MÔNICA BERGAMO
·2 minuto de leitura
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF,  08.12.2020 - O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 08.12.2020 - O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A defesa do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) recorreu a um "dicionário de emojis" online para justificar que uma publicação com suspeitas sobre a ex-primeira dama Marisa Letícia, compartilhada pelo parlamentar nas redes sociais, indicava apenas "incerteza e interesse por tema de repercussão nacional".

A família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) processa o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) após postagem segundo a qual Marisa Letícia possuía um patrimônio de R$ 256 milhões —quando, segundo a defesa dos herdeiros, a quantia verdadeira é de R$ 26 mil.

A diferença de valores surgiu depois que um juiz confundiu a quantia que Marisa tinha aplicados em CDBs com debêntures de outra natureza. Ele questionou a defesa e, antes mesmo do esclarecimento, as redes bolsonaristas passaram a divulgar o valor errado.

Em sua contestação, a advogada Karina Kufa, que representa Eduardo, recorreu ao site Dicionário Popular para destrinchar o significado do emoji utilizado pelo deputado em seu compartilhamento.

"O rosto pensativo é um emoji usado para dizer que você está refletindo sobre alguma coisa, ou para transmitir que está confuso", diz a publicação citada. "Ele também pode ser usado quando você quer questionar a veracidade de algo que foi dito", segue. O recurso visual acompanhava a frase "os R$ 256 MILHÕES de Dona Marisa...", de autoria do deputado federal.

"Não há, em qualquer palavra ou pictograma do compartilhamento do requerido, elemento que indique atribuição imoral e ilícita à aqui representada, inexistindo, portanto, qualquer dano à sua memória", afirma Kufa.

A advogada de Eduardo Bolsonaro ainda diz que não houve qualquer afirmação a respeito da conduta da ex-primeira dama, já que a postagem apenas informava o conteúdo da decisão judicial. E defende que uma eventual determinação judicial pela publicação dos valores corrigidos, como pede a família de Lula, "provocaria situação vexatória".

"É manifesta a intenção política de tal pretensão, tanto porque a obrigação em nada poderia reparar eventuais e supostos danos, quanto porque os requerentes [herdeiros de Marisa Letícia] possuem no Requerido [Eduardo Bolsonaro] um desafeto político", afirma.

Segunda nota publicada no site oficial do ex-presidente Lula em abril deste ano, os herdeiros de Marisa Letícia também pedem reparação de R$ 131.408,70 "de cada um dos propagadores de fake news". Não há intenção de acordo por parte da família.

"O valor equivale a cinco vezes o que dona Marisa realmente tinha em CDBs [títulos de investimento] e duas mil vezes menos do que o valor falsamente divulgado por Regina Duarte e Eduardo Bolsonaro", diz a nota.

A ação processa a ex-secretária especial de Cultura, Regina Duarte, por causa do compartilhamento da mesma informação desmentida. A defesa de Regina disse, em sua contestação, que a publicação havia sido apagada —porém, ela segue no ar.

Agora, a defesa dos herdeiros da ex-primeira-dama pede que Regina também seja condenada a pagar multa por litigância de má-fé.