Defesa de Flordelis vai entrar com pedido para transferir julgamento de Niterói para o Rio

RIO — A defesa da ex-deputada federal Flordelis dos Santos de Souza vai entrar, nesta terça-feira, com um pedido para transferir o júri da cliente de Niterói pra o Rio de Janeiro. O pedido será feito no Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ). O julgamento da pastora está marcado para o dia 6 de junho, no Tribunal do Júri de Niterói. A defesa da pastora alega que a juíza do caso, Nearis dos Santos Carvalho Arce, fez menção ao caso da cliente na última semana durante uma reunião com os jurados que atuam na 3ª Vara Criminal de Niterói.

A informação sobre o pedido feito ao TJ foi dada durante uma coletiva de imprensa em um hotel em Niterói na manhã desta terça, com a presença de cinco advogados. De acordo com o advogado Rodrigo Faucz, um dos que fazem parte da defesa da ex-deputada, Nearis fez uma reunião com os jurados a portas fechadas. Segundo ele, outro advogado do caso foi impedido de participar do ato.

— Soubemos que, nessa reunião, ela comentou sobre o caso Flordelis para os potenciais jurados. Um dos advogados da nessa equipe foi até o fórum e foi impedido de entrar, impedido de acompanhar o que foi dito. Esse fator se reveste de maior gravidade, vez que já estamos falando há algum tempo dessas possíveis e até desses fatos que denotam a suspeição da juíza. É de uma gravidade extremamente grande, eis que o juiz deve se manter imparcial sempre. A consequência grave é que os jurados podem se antecipar, discutir as informações entre si — explicou Faucz.

No júri popular, ao qual Flordelis será submetida, quem decide se os réus são culpados ou inocentes são os jurados, pessoas comuns que são convocadas ou se candidatam. Segundo os advogados da pastora, os jurados que tiveram uma reunião com Nearis vão atuar nos julgamentos da 3ª Vara criminal de Niterói até julho.

Os advogados afirmaram ainda que entrarão com novo pedido de suspeição da juíza Nearis dos Santos pelo que ocorreu durante a reunião. Outra solicitação já foi feita no ano passado e o TJ negou o pedido para afastar Nearis do processo. Esse primeiro pedido ainda será julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A defesa ainda fará uma representação contra Nearis no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Rodrigo Faucz acrescentou que, com a quantidade de provas às quais a defesa ainda não teve acesso, não há condições nem mesmo que o julgamento aconteça no dia 6 de junho. Na semana passada, Nearis dos Santos adiou a data do júri de Flordelis do dia 9 de maio para o próximo mês.

— Nós possuímos um laudo de um psicólogo dizendo que o tratamento dado à Flordelis é muito diferente dos demais acusados (no processo). Não temos interesse em protelar. Nossas clientes estão presas. O que estamos colocando é que não há como ter um julgamento justo da forma que está. Queremos que o julgamento seja justo e imparcial. Precisamos que as prerrogativas e que direitos sejam preservados — disse.

Conforme noticiado pelo GLOBO, a decisão de pedir a transferência do júri já tinha sido tomada pela defesa de Flordelis após os dois julgamentos de quatro filhos da ex-deputada, em novembro de 2021 e abril deste ano. De acordo com Faucz, em Niterói não é possível que Flordelis tenha um julgamento justo.

— Não se trata de falar mal da juíza. Mas, para nós, a juíza tem sido parcial. Ela tem lado. O alvo está na testa da Flordelis. É uma mulher periférica, que veio de comunidade, negra, que ousou ascender socialmente, ousou ser eleita com quase 200 mil votos, ousou discordar de lideranças religiosas. Esse caso tem muitas coisas bonitas a serem exploradas que não são as fofocas da família. Para a pastora Flordelis, pegar uma pena como mandante será prisão perpétua. Ela tem mais de 60 anos — complementou Janira Rocha, que compõe a defesa da Flordelis.

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