Defesa de ginecologista acusado de estupro em GO pede habeas corpus preventivo, às vésperas de conclusão de inquérito

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RIO — A defesa do ginecologista e obstetra Nicodemos Júnior Estanislau Morais, de 41 anos, informou ao GLOBO que entrou com pedido de habeas corpus preventivo, nesta quarta-feira, sob o argumento de que é "desnecessária a manutenção da prisão preventiva" do médico. O prazo de conclusão do inquérito de investigação termina nesta sexta-feira. Nicodemos segue preso por crimes sexuais contra mais de 50 pacientes durante consultas e também por redes sociais.

O advogado do acusado, Carlos Eduardo Gonçalves Martins, disse ainda que não tem perspectivas de como a situação se desenrolará nos próximos dias.

A delegada responsável pelo caso, Isabella Joy, informou que, até o momento, 56 pacientes de Anápolis e Abadiânia fizeram denúncias contra o médico. Nesta fase final do inquérito, a polícia está produzindo um relatório minucioso com os depoimentos das vítimas e demais investigações, para levar o caso a julgamento.

O médico foi preso pela segunda vez na última sexta-feira (8) em Anápolis, a 55 km de Goiânia. Ele foi interditado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) no início das investigações e está proibido de fazer atendimentos médicos em todo o país nos próximos seis meses.

A interdição cautelar é um procedimento administrativo adotado pelos Conselhos Regionais de Medicina para restringir o exercício da profissão por médicos que cometem ou planejam crimes contra a população. O acusado fica impedido de exercer as atividades até a conclusão final do processo. A interdição é válida por seis meses, podendo ser prorrogada pelo mesmo período ou revogada a qualquer momento.

Nicodemos nega os crimes pelos quais é investigado de violação sexual mediante fraude, importunação sexual e estupro de vulnerável.

O caso

Nicodemos Júnior foi preso pela primeira vez no dia 29 de setembro, após a denúncia de três vítimas. Depois, mais de 50 mulheres procuraram a delegacia para registrar denúncia. No dia 4 de outubro, o médico ganhou liberdade provisória e era monitorado por tornozeleira eletrônica. Os argumentos da defesa do ginecologista, segundo Isabella Joy, foram que ele tem residência fixa e não atrapalharia as investigações, além de não provocar risco para as vítimas e à sociedade. A prisão atual é referente a um novo inquérito relacionado a três vítimas de Abadiânia.

Segundo a Polícia Civil, Nicodemos Júnior Estanislau Morais se valia, por exemplo, de momentos em que fazia exames como ultrassom endovaginal para violentar as pacientes. Além disso, as vítimas não podiam entrar com acompanhantes no consultório, e os abusos aconteciam também por meio de aplicativos de mensagens, onde o ginecologista mandava sugestões de livros eróticos.

A defesa de Nicodemos alegou que o cliente era “acusado de abuso sexual desde o ínicio da carreira, por interpretação errada das pacientes durante os procedimentos médicos”. O suspeito já havia sido denunciado por violação sexual no Distrito Federal, em 2017, mas o processo não foi concluído.

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