Defesa de Ibaneis afirma que plano de segurança sofreu 'sabotagem' de policiais

A defesa do governador afastado do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o plano de segurança elaborado para a manifestação de domingo sofreu "atos de sabotagem" das forças de segurança locais e acusa policiais de terem agido com "conivência" e "colaboração" com os manifestantes golpistas e de terem cometido "deserção".

A peça foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, que no domingo afastou Ibaneis do cargo por 90 dias, por considerar que ele foi omisso na preparação do esquema de segurança do protesto.

No documento, os advogados admitem que a primeira impressão é de que houve "aparente falta de preparação para os atos anunciados", mas argumentam que "diversos agentes aos quais incumbiam a execução do protocolo de ação seguiram pela inaceitável e criminosa linha da conivência e da colaboração com os grotescos atos terroristas, tudo à revelia do que havia sido previamente alinhado".

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Segundo eles, "a manifestação golpista promovida foi possível por causa da operação de sabotagem nas forças de segurança locais", e também houve "deserção dos postos por parte de alguns policiais".

A defesa de Ibaneis alega que "havia um protocolo de ações integradas, previamente elaborado com a finalidade de promover ações de segurança pública" e que o governador "confiou na sua execução". Um dos pontos destacados é que no início da tarde de domingo o então secretário de Segurança em exercício, Fernando de Sousa Oliveira, enviou um áudio a Ibaneis afirmando que o protesto ocorria de forma "ordeira e pacífica".

O plenário do STF está analisando, nesta quarta-feira, a decisão de Moraes e já maioria para manter o afastamento de Ibaneis. Também já há número suficiente de votos para manter a ordem de prisão de outros dois responsáveis pelo esquema de segurança: ex-ministro e ex-secretário Anderson Torres e do ex-comandante da Polícia Militar Fábio Augusto.