Defesa de isolamento e máscaras por general contribuiu para saída de Azevedo

MÔNICA BERGAMO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A entrevista do general responsável pelo departamento-geral de pessoal do Exército sobre medidas de sucesso para preservar os integrantes da Força na epidemia da Covid-19 teria sido o empurrão —ou um dos pretextos— para precipitar a saída de Fernando Azevedo e Silva do Ministério da Defesa. Ele foi demitido nesta segunda-feira (29) por Jair Bolsonaro (sem partido), que há tempos manifestava descontentamento com a condução da pasta. O presidente pretende também usar o cargo para acomodar aliados em uma ampla reforma ministerial que começa a implementar. Autoridade máxima da saúde no Exército, o general Paulo Sérgio relatou ao jornal Correio Braziliense, em entrevista publicada no domingo (28), que a taxa de mortalidade pela doença entre as 700 mil pessoas sob a responsabilidade da arma —além dos militares da ativa, os da reserva e seus dependentes —é de 0,13%, índice bem abaixo dos 2,5% registrados na população geral do país. O segredo: o Exército teria adotado uma espécie de lockdown, enviando todas as pessoas de grupo de risco para home office. Os novos recrutas, que ingressam para o serviço militar obrigatório, foram colocados em regime de internato e alguns passam até semanas sem ir para casa, para evitarem a contaminação pelo novo coronavírus. Cerimônias militares foram suspensas em todos os quartéis e campanhas massivas foram realizadas a favor do isolamento social e do uso de máscara. Ou seja, exatamente o contrário do que sempre pregou o presidente da República. "O índice de letalidade é muito baixo, menor do que na rede pública, graças a essa conscientização, essa compreensão, que é o que eu acho que, se melhorasse no Brasil, provavelmente, o número de contaminados seria bem menor", disse o general Paulo Sérgio. "Todas as medidas sanitárias, diretrizes emanadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), corroboradas pelas nossas diretorias de saúde, são rigorosamente cumpridas em nossos quartéis”, afirmou ainda o militar para o Correio Braziliense. O general disse mais: o Exército já trabalha com a possibilidade de uma terceira onda da Covid-19 no país.