Defesa de Rogério de Andrade diz que contraventor está foragido no exterior

Procurado pela polícia e com mandado de prisão preventiva expedido pelo Tribunal de Justiça do Rio, o contraventor Rogério Costa de Andrade e Silva, mais conhecido como Rogério de Andrade, está no exterior. A informação de que Rogério de Andrade encontra-se foragido fora do país foi prestada de forma oficial pela defesa do bicheiro. E consta em um despacho do juiz Marcelo Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada, datado do último dia 5 de junho, onde o magistrado determina que a citação de Rogério seja feita por edital , num prazo de 15 dias.

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Rogério e o filho Gustavo de Andrade Silva são apontados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) como chefes de um organização criminosa que explora jogos de azar no Rio e em outros estados. No dia 11 de maio, O MPRJ deflagrou a Operação Calígula para tentar prender Rogério, o filho dele e mais 25 pessoas. No entanto, na ocasião , o contraventor e o filho não foram localizados. Além deles, 11 pessoas estão foragidas.

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A citação é um dos atos obrigatórios para cientificar oficialmente uma pessoa sobre o início de um processo criminal. Além de Rogério, a mesma decisão determina ainda que seu filho Gustavo de Andrade Silva, tratado por outros integrantes da quadrilha como Príncipe Regente ou Zero Dois , também seja citado da mesma maneira. "Cite-se por edital, com prazo de 15 dias, Rogerio Costa de Andrade e Silva e Gustavo de Andrade e Silva, o primeiro em função da certidão do OJA ( oficial de justiça) que dá fé pública à declaração da causídica do mesmo que este estaria foragido no exterior. O segundo, segundo notícias jornalísticas que dão conhecimento notório que o mesmo estaria acompanhando o pai no exterior", escreveu o juiz, em um trecho do despacho.

A decisão do juízo da 1ª Vara Criminal Especializada determina ainda que o nome de 12 foragidos suspeitos de integrar o bando, entre eles o filho de Rogério, sejam encaminhados para lista de procurados da Interpol, conhecida como difusão vermelha.

O nome de Rogério de Andrade já consta na lista da Interpol, desde do dia 28 de abril último, por conta de outra decisão judicial. Assim, caso ele e o filho sejam localizados no exterior, estarão sujeitos aos efeitos dos mandados de prisão expedidos pela Justiça do Rio de Janeiro. Rogério é suspeito de chefiar a quadrilha que explora jogos de azar no Rio e em outros estados. Já Gustavo seria o segundo na hierarquia, de acordo com denuncia assinada por promotores do Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Publico do Rio de Janeiro (MPRJ).

Segundo o MPRJ, além de ser o segundo na hierarquia do bando chefiado pelo pai, o filho de Rogério de Andrade chegou a ficar à frente da organização criminosa, durante um breve período de 2018, quando o contraventor foi preso ao ir depor em uma vara federal, em junho daquele ano. Na denúncia assinada por promotores do Ministério Público, o herdeiro de Rogério de Andrade é apontado como o responsável por realizar reuniões para tratar da expansão dos domínios das áreas controladas pelo bicheiro.

De acordo com o MPRJ, Gustavo também gerenciaria atividades de casas de apostas exploradas pelo pai. Num episódio citado na investigação do Ministério Público, Gustavo teria planejado e implementado jogos de cartas em um bingo. A casa de apostas ficava no Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, e era administrada pelo ex-segurança de Rogério de Andrade, o PM reformado Ronnie Lessa. O militar é um dos dois presos pelas mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, executados a tiros, em março de 2018 . Gustavo Andrade é irmão de Diogo Andrade, de 17. O rapaz morreu numa explosão, em 2010, durante um atentado que tinha o objetivo de matar Rogério de Andrade.

Ronnie Lessa é apontado na investigação do bando chefiado por Rogério como administrador de uma casa de apostas controlada pela quadrilha, que funcionava na Barra da Tijuca. Em junho de 2018, o local foi fechado e 80 máquinas caça-níqueis, apreendidas. Segundo o MPRJ, com o aval de Rogério, Lessa pediu ao delegado Marcos Cipriano — preso durante a Operação Calígula — para marcar um encontro com a delegada Adriana Belém, da 16ª DP (Barra da Tijuca), unidade policial onde as maquinetas ficaram apreendidas.

De acordo com a denúncia, após a realização do encontro, que contou com a presença do inspetor Jorge Luiz Camilo Alves, braço-direito da delegada, as máquinas foram devolvidas. Elas acabaram sendo retiradas da delegacia num caminhão enviado por Lessa. Na casa da delegada, a polícia apreendeu, em maio, durante a deflagração da Operação Calígula, quase R$ 2 milhões em espécie. Na ocasião, ela teve a prisão decretada pela Justiça

Rogério de Andrade também é suspeito de ser o mandante da morte do bicheiro Fernando Iggnácio. Genro de Castor e inimigo de Rogério, Iggnácio executado com tiros de fuzil, no dia 10 de novembro de 2020, no estacionamento de um heliporto, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio.

O crime, de acordo com investigações da Delegacia de Homicídios da Capital (DH), foi motivado pela disputa do controle de pontos de exploração do jogo do bicho, videopôquer e máquinas caça-níquel, na Zona Oeste. Por mais de dez anos, o sobrinho e o genro de Castor travavam uma guerra pelo controle dos negócios ilícitos do espólio de Castor de Andrade, ex- integrante da cúpula do jogo do bicho e ex-presidente da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel.

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