Advogados de Trump exigem absolvição em impeachment classificado como 'injusto'

Michael Mathes y Sebastian Smith
·4 minuto de leitura

A defesa do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump pediu nesta sexta-feira (12) ao Senado dos Estados Unidos que rejeite a acusação feita pelos democratas, argumentando que a iniciativa é uma "vingança política" e busca "anular" o movimento popular de direita.

"Sejamos claros: este julgamento é muito mais do que o presidente Trump", disse o advogado Bruce Castor, ao encerrar a argumentação da defesa.

"Trata-se de anular 75 milhões de eleitores de Trump e penalizar opiniões políticas. É disso que trata este julgamento", afirmou.

As acusações do impeachment são "um ato de vingança política e são descaradamente inconstitucionais", alegou o advogado Michael Van Der Veen.

"O Senado deveria votar de forma rápida e decidida para rejeitá-lo", pediu.

- Veredicto no fim de semana? -

Os advogados de Trump concluíram seus argumentos depois de apenas três horas, embora tivessem 16 horas para apresentar seu caso. O veredicto pode sair no fim de semana.

Trump foi indiciado pela Câmara dos Representantes, de maioria democrata, com a acusação de "incitação à insurreição" no ataque de seus partidários ao Capitólio, ocorrido uma semana antes.

Na quinta-feira, legisladores que atuam como promotores no processo concluíram sua argumentação após dois dias de apresentações, que incluíram vídeos chocantes da rebelião na sede do Congresso.

Eles alegaram que Trump alimentou deliberadamente a tensão nacional depois de perder a reeleição para Joe Biden em 3 de novembro com uma campanha de alegações infundadas denunciando fraudes eleitorais massivas.

A tomada do Capitólio em 6 de janeiro ocorreu logo após uma grande manifestação organizada por Trump perto da Casa Branca, na qual ele pediu à multidão que marchasse para o Congresso, que se preparava para certificar a vitória de Biden.

Cinco pessoas, incluindo um policial e uma mulher baleada durante os tumultos, foram mortas como resultado do caos desencadeado.

- "Parem de hipocrisia" -

Os advogados do ex-presidente afirmam que seu discurso foi retórico e que ele não pode ser responsabilizado pelos excessos de seus seguidores.

Também afirmam que o julgamento em si é inconstitucional porque Trump deixou o cargo em 20 de janeiro, embora o Senado já tenha rejeitado esse argumento em votação na terça-feira.

Na sexta-feira, a defesa rebateu o golpe da acusação, que esta semana insistiu que Trump em 6 de janeiro convocou seus apoiadores a "lutar como o inferno", com um vídeo de políticos democratas usando a palavra "lutar".

A montagem de mais de 10 minutos conta com a participação de muitos senadores democratas, além do presidente Joe Biden e da vice-presidente Kamala Harris quando estavam na campanha eleitoral de 2020, chamando à "luta" centenas de vezes em discursos e na televisão.

"Tudo bem, não fizeram nada de errado. É uma palavra que as pessoas usam", disse Schoen. "Mas, por favor, parem com a hipocrisia".

- "Não surgiu do nada" -

As imagens e áudios apresentados pela promotoria mostraram trumpistas furiosos perseguindo os oponentes de Trump no Capitólio, enquanto figuras políticas importantes, incluindo o então vice-presidente Mike Pence, corriam para se refugiar.

Schoen zombou do vídeo, chamando-o de "pacote de entretenimento".

Mas o líder democrata do impeachment, Jamie Raskin, enfatizou que Trump vinha encorajando o extremismo mesmo antes do dia das eleições, minando constantemente a confiança pública no processo eleitoral.

"Esta insurreição pró-Trump não surgiu do nada", disse ele, observando que é imperativo que o Senado condene Trump e o impeça de concorrer à Casa Branca novamente em 2024.

"Vocês apostariam o futuro de sua democracia nisso?", perguntou aos senadores.

- Biden "ansioso" -

Uma maioria de dois terços é necessária para condenar o ex-presidente, o que significa que 17 republicanos devem se juntar aos 50 democratas no Senado. Isso é altamente improvável.

No entanto, o mero fato de alguns republicanos votarem para condená-lo seria um marco histórico contra Trump, alimentando um conflito no partido sobre seguir sua visão populista e divisionista ou retornar a valores mais moderados.

"Estou ansioso para ver o que meus amigos republicanos farão", disse Biden, que foi senador por 35 anos, antes.

Uma figura republicana proeminente e possível futuro candidato presidencial, a ex-embaixadora da ONU Nikki Haley, disse ao Politico que é hora de romper com Trump.

"Não podemos permitir que isso aconteça novamente", afirmou.

O senador republicano Bill Cassidy reconheceu que as imagens de vídeo são "poderosas", mas estimou que "resta ver" como elas influenciarão o fim.

Outros senadores republicanos já indicaram que estão determinados a não desafiar Trump, que ameaçou prejudicar suas carreiras se apoiarem o impeachment contra ele.

"A votação de 'Não Culpado' está crescendo", disse o influente Lindsey Graham no Twitter na quinta-feira.

O senador republicano Josh Hawley disse à Fox News que o julgamento foi "totalmente ilegítimo".

A democrata Hillary Clinton, que perdeu a eleição para Trump em 2016 e é uma figura do ódio de Trump, fez um forte apelo à condenação.

"Cumpra seu juramento. Condene-o", ela tuitou para senadores na sexta-feira.

bur-sms/ad/rsr/ap/ic/am