Delírios, depressão e estresse pós-traumático: estudo britânico alerta para efeitos da Covid-19

Um estudo britânico conduzido pela University College London e publicado na revista científica The Lancet Psychiatry alerta que 25% dos pacientes hospitalizados da Covid-19 podem desenvolver delírios durante a internação.

Quadros de confusão, agitação e alteração da consciência coincidem com registros da literatura médica em outras duas doenças respiratórias causadas por coronavírus, como a Síndrome Aguda Respiratória Grave (Sars) e a Sindrome Respiratória do Ensino Médio (Mers).

Os pesquisadores do Reino Unido apontaram, ainda, para o grande risco de desenvolvimento de estresse pós-traumático entre os pacientes curados da Covid-19. Embora ponderem que ainda é cedo para traçar todas as consequências da doença, cujos efeitos a longo prazo são desconhecidos pelo próprio ineditismo do Sars-CoV-2, os cientistas afirmam que a complicação pode acompanhar as vítimas do coronavírus para muito além da cura, bem como ansiedade, depressão e fadiga crônica.

A pesquisa compilou 65 estudos e sete artigos que, juntos, aglutinam 3.500 pacientes de Covid-19, Sars e Mers. No caso da Sars, que atingiu vários países do mundo entre 2003 e 2004, há casos de pacientes acompanhados ao longo de 12 anos. A análise sugere que o impacto da pandemia na saúde mental ao redor do globo será considerável, ainda que apenas uma parcela dos pacientes do novo coronavírus desenvolvam problemas mentais.

Os reflexos na saúde mental das vítimas das outras síndromes foi muito mais amplo do que se imaginava inicialmente: cerca de um terço dos pacientes desenvolveram estresse pré-traumático. Além disso, 15%  deles reportaram sintomas de depressão até um ano após a recuperação da doença e outros 15% informaram fenômenos diversos, como problemas de sono ou de memória, mudanças repentinas de humor e cansaço constante.

Um dos autores da pesquisa, Edward Chesney, propõe no artigo que o contato dos pacientes com seus familiares seja facilitado por meio de videoconferências para reduzir o isolamento no período da internação. Além disso, a pesquisa defende o suporte e o monitoramento das vítimas que se curaram da Covid-19 para além da alta médica para acompanhar o eventual desenvolvimento de doenças mentais e tratá-las.