Delator diz que Edinho procuraria empresas com contratos com a Petrobras para doações

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O delator da Odebrecht Rogério dos Santos Araújo afirma em depoimento que uma lista de empresas que tinham aditivos de contratos pendentes com a Petrobras foi enviada a Edinho Silva, então coordenador da campanha de Dilma Rousseff (PT). A intenção seria que Edinho buscasse as companhias para pedir contribuições em troca da aprovação dos aditivos. O delator, porém, diz não saber se essa estratégia se concretizou.

Araújo diz que pediu uma reunião com Maurício Guedes, executivo da Petrobras, para tratar de um aditivo da Odebrecht após sentir que havia atraso na sua aprovação. "Me chamou atenção que, em uma das reuniões de rotina que eu tinha na Petrobras, no ano de 2014, no período de plena campanha para eleição da Dilma, o Maurício comentou que estava numa situação desconfortável", disse.

De acordo com o delator, o executivo da Petrobras contou que recebera um pedido da então presidente da estatal, Graça Foster, para que levantasse a lista de todas as empresas com aditivos pendentes. Guedes, então, afirma que a lista havia sido encaminhada para Edinho e alerta Araújo: "É capaz de vocês serem procurados pelo Edinho sobre aditivo".

Araújo confirma que a lista teria sido levantada com a intenção de que a campanha de Dilma buscasse as empresas para pedir doações legais ou ilegais em troca da aprovação de aditivos.

O delator diz, contudo, que não foi procurado por Edinho posteriormente. E que provavelmente seus superiores na Odebrecht também não trataram de aditivos com Edinho, porque tal conversa, se existisse, teria chegado a ele.

Araújo diz que, ao final, o aditivo da Odebrecht em questão não teve a tramitação acelerada.

Como o depoimento não trata de pessoas com foro privilegiado, o pedido de investigação foi enviado à Procuradoria Regional da República da 3ª Região.

OUTRO LADO

Edinho Silva, que hoje é prefeito de Araraquara eleito pelo PT, afirma não conhecer Rogério Santos Araújo. Diz que nunca esteve com o delator e, portanto, "jamais tratou de qualquer tema relacionado à Petrobras".

"Reforça-se que todo o seu trabalho de coordenador financeiro da campanha Dilma-Temer 2014 foi realizado dentro da legalidade e que todas as doações estão declaradas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), sendo elas analisadas e aprovadas por unanimidade pelo órgão."

Graça Foster não respondeu ao contato da reportagem.