Delator relata pagamento de R$ 2 milhões na sede do PT, em SP

SÃO PAULO - O empresário Mário Seabra Suarez, que fechou acordo de delação premiada, relatou suposto pagamento de R$ 2 milhões em dinheiro vivo na sede nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), em São Paulo, para João Vaccari Neto, então tesoureiro do partido.

Seabra foi sócio da Mendes Pinto Engenharia. Além dele, Alexandre Andrade Suarez, que é funcionário da empresa, também fechou acordo de colaboração. Eles são investigados na Operação Sem Fundos, que apura corrupção na construção da Torre Pituba, sede da Petrobras em Salvador, na Bahia. A suspeita dos investigadores é de que durante as obras houve repasses de R$ 68 milhões ao PT e a ex-dirigentes do Fundo Petros e da Petrobras.

O empresário afirma que houve pagamentos de propina em troca de contratos com a Petrobras. Os termos da delação foram anexados ao processo da Justiça Federal do Paraná nesta terça-feira.

De acordo com os documentos, houve um acerto entre a Mendes Pinto Engenharia e ex-diretores da Petrobras e da Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros) de que a empresa seria beneficiada para gerenciar a construção a partir do pagamento de R$ 9,6 milhões de propina.

Segundo a delação, os ex-diretores da estatal e da Petros intermediaram um encontro entre o representante da Mendes Pinto e o ex-tesoureiro do PT "com o objetivo de acertar os valores de propina a serem pagos e também obter deste (Vaccari), na qualidade de caixa do PT, apoio político à empreitada", informa o anexo.

O delator relata ainda que por determinação de Vaccari ficou definido que a propina seria repartida em três partes iguais entre o PT nacional, o PT da Bahia e a Petros. "Posteriormente, os percentuais foram alterados porque os dirigentes da Petros e da Petrobras passaram a cobrar um valor maior do que o acordado", diz outra parte do documento. Com isso, Suarez afirma que o valor total prometido ao PT deixou de ser pago.

Seabra ainda afirmou que Vaccari teria indicado um intermediário que receberia o dinheiro, a exemplo de uma cunhada, e de um doleiro de Salvador, que usava um representantes em São Paulo para fazer as entregas de dinheiro na sede do PT, no bairro da Sé.

Um dos advogados que participou do acordo foi Roberto Podval, criminalista que defende réus da Lava-Jato como o ex-ministro José Dirceu.

O PT informou, por meio de nota, que se trata de mais uma denúncia fantasiosa, sem sentido e sem provas que visa atingir o partido.

Luiz Flavio Borges D'Urso, advogado de defesa do ex-tesoureiro do PT, afirma que "mais uma vez se verifica um delator, interessado no acordo para diminuição de sua pena, acusar o sr. João Vaccari Neto de forma inverídica e destituída de qualquer prova".

"Vaccari jamais foi tesoureiro de campanha política de quem quer que seja, sendo tão somente tesoureiro do PT, partido para o qual sempre solicitou doações legais, as quais foram depositadas em conta bancária, com o devido recibo e prestação de contas às autoridades", disse o advogado.