Delegação do Governo líbio aceita proposta da UA de negociar com rebeldes

Río de Janeiro, 25 mar (EFE).- A delegação do Governo líbio que participa de uma cúpula de alto nível na capital da Etiópia com membros da União Africana (UA) e dos Governos de Rússia, China, Estados Unidos e França aceitou as propostas da UA, que incluem reformas democráticas e diálogo com os rebeldes.

"Estamos dispostos a iniciar o Mapa de Caminho do Comitê de Alto Nível do Conselho de Paz e Segurança da UA, incluída a adoção e aplicação de uma política que satisfaça às aspirações do povo líbio de maneira pacífica e democrática", disseram os enviados líbios em comunicado distribuído aos meios de comunicação.

Além disso, os representantes do Governo líbio na Etiópia solicitaram a cessação dos bombardeios e o bloqueio naval.

A delegação líbia considerou que "os bombardeios e o bloqueio naval impostos pelas forças ocidentais estão aplainando o terreno para um ataque rebelde" e pediu também "a suspensão do embargo econômico, que agravou o sofrimento do povo líbio".

O texto acrescenta que o Executivo líbio se comprometeria a um cessar-fogo se a mesma medida for imposta aos rebeldes.

A Líbia "se comprometeu a um cessar-fogo. A comunidade internacional deve impor as mesmas obrigações às outras partes. Também aceitará uma missão de observadores da UA para supervisionar o cessar-fogo", diz o comunicado.

No entanto, os rebeldes não estão representados na reunião de Adis-Abeba, já que os líderes do Conselho Nacional de Transição recusaram o convite, pois a agenda do encontro não incluía a renúncia de Kadafi.

Por sua vez, a delegação enviada pelo líder líbio está liderada por Mohammad Al-Zawi, presidente do Congresso do Povo.

O presidente da Comissão da UA, Jean Ping, disse durante o encontro que se chegou a um acordo para a determinação de um Mapa de Caminho para resolver a crise, que consistiria na formação de um Governo de transição, na convocação de eleições e na criação de instituições democráticas.

Previamente, a UA propôs que as partes em conflito chegassem a um acordo sobre um período de transição durante o qual seriam realizadas eleições democráticas.

Ping disse que o papel da África continuará sendo estritamente político, com o objetivo de ajudar na obtenção de um acordo entre as partes envolvidas no conflito.

Segundo fontes da UA, a reunião esteve dividida quanto às formas de resolução para a crise: a Argélia liderou o grupo que tentava obter um cessar-fogo seguido de negociações que aproximassem ambas as partes, enquanto a Turquia põe como condição que Kadafi abandone o poder.

Ping explicou que a UA pressionou para alcançar reformas políticas através do diálogo e pediu às partes em conflito que ponham fim às hostilidades e que permitam a realização dos trabalhos humanitários.

Membros da UA e dos Governos de Rússia, China, Estados Unidos e França e outros países europeus se reuniram nesta sexta-feira com representantes das autoridades da Líbia na capital etíope para tentar encontrar uma saída pacífica ao conflito líbio. EFE