Delegada e policiais militares são alvos de operação contra milícia que atua na Zona Oeste

O Ministério Público do Rio (MPRJ) deflagrou na manhã desta sexta-feira uma operação para cumprir 10 mandados de prisão preventiva e 11 de de busca e apreensão contra agentes públicos do Rio aliados do maior grupo paramilitar do estado. Entre os alvos, estão três policiais militares, seis agentes da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e até uma delegada. A ação foi intitulada Heron. A organização criminosa já foi chefiada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, morto em confronto com a Polícia Civil em 12 de junho de 2021, na comunidade Três Pontes, em Paciência, Zona Oeste do Rio, e hoje é comandada por seu irmão Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada da Capital.

Até as 7h, quatro pessoas já haviam disso presas. Segundo a investigação, os agentes públicos eram responsáveis pelo repasse de informações privilegiadas aos integrantes da organização criminosa, “sobre segurança pública, posicionamento de viaturas e investigações em andamento”, diz o Ministério Público. Além de repassarem informações sobre grupos rivais, facilitavam a movimentação dos “bondes”, comboios para atividades criminosas, e até escoltavam, com viaturas oficiais, foragidos da Justiça.

São alvos da operação desta sexta: Francisco Anderson da Silva Costa, o Garça ou 'PQD — apontado como um dos chefes do grupo criminoso, extremamente cruel, contra o qual constam diversos inquéritos para apuração de crime de homicídio, dentre outros delitos de extrema gravidade —; e Luiz Bastos de Olive Ira Junior, o Pqdzinho; além dos policiais militares Matheus Henrique Dias de França, o Franc; Leonardo Corrêa de Oliveira, o sargento Oliveira; Pedro Augusto Nunes Barbosa, o Nun; e os policiais penais André Guedes Benício Batalha, o Gue, Edson da Silva Souza, o amigo S; Ismael de Farias Santos; Alcimar Badaró Jacques, o Badá; Carlos Eduardo Feitosa de Souza, o Feitosa ou Feio, e Wesley José dos Santos, o SEAP. O nome da delegada não foi revelado.

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De acordo com a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e de Inquéritos Especiais (DRACO-IE), que dá apoio na operação, os servidores tinham contato direto com homens de Zinho. O paramilitar é foragido da Justiça e hoje explora toda a Zona Oeste do Rio.

A investigação começou com apreensão de um telefone celular, realizada durante uma ação em 27 de abril de 2021, na casa de Francisco Anderson da Silva Costa, o Garça.

Segundo os investigadores, Garça era um dos principais homens de confiança de Ecko e, de acordo com as investigações, era responsável pela contabilidade dos valores da quadrilha, tanto os provenientes das extorsões e taxas, quanto o pagamento de propina a agentes de segurança. Na operação de um ano atrás, o miliciano conseguiu fugir, mas deixou o aparelho, do qual a polícia obteve detalhes do grupo paramilitar. A Polícia Civil acredita que Garça tenha sido morto a mando de Ecko, em virtude de uma divergência na quadrilha.

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