Delegado Da Cunha diz que não é investigado, e sim alvo de apuração preliminar

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O delegado Carlos Alberto da Cunha, da Polícia Civil de São Paulo, publicou nesta quarta-feira (21), em seu canal no YouTube, um vídeo em resposta à reportagem do jornal Folha de S.Paulo "Polícia de SP investiga delegado Da Cunha por 'operação Rambo' na cracolândia".

O delegado postou uma foto em que segura uma pistola na mão enquanto olha fixo um grupo de pessoas na cracolândia. Segundo a reportagem, a postagem gerou repercussão negativa na cúpula da Polícia Civil de São Paulo, que determinou, na sexta (16), abertura imediata de um procedimento disciplinar para apurar o caso.

Da Cunha respondeu com um vídeo de 33 minutos. Ele diz não ser investigado, argumentando que o termo se refere a um procedimento policial para apurar a prática de crime. Também diz que existe apenas uma apuração preliminar relativa a uma possível irregularidade administrativa.

"Eu tenho sete apurações preliminares, todas instauradas depois do canal, todas por motivos, na minha opinião, pífios, motivos fracos, que não representam nenhum erro administrativo", afirma.

Na legenda da foto mencionada pela Folha de S.Paulo, o delegado diz que está em andamento a Operação São Paulo. No vídeo, ele explica que a operação é baseada em sua pós-graduação em segurança pública e que vai realizar uma pesquisa sobre os principais crimes que assolam o estado.

"Já fiz muita operação na rua e, agora, vou pegar minha experiência de 20 anos de segurança para analisar ponto a ponto os principais crimes e apresentar soluções", afirma. O resultado, segundo Da Cunha, será publicado em um livro e também em vídeos no YouTube.

O delegado rebate a comparação com o personagem vivido por Sylvester Stallone, feita pela reportagem. "Não sou o John Rambo, que fez uma operação sozinho na cracolândia. Eu estava na rua Helvetia analisando o fluxo de usuários, o comportamento deles."

Ele afirma ainda que a foto foi tirada num local perto de agentes da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e a 30 metros dos usuários, o que não colocaria ninguém em risco. Ele diz também que quem domina a cracolândia são membros do PCC, mas não a organização, como afirmado pela Folha de S.Paulo.

No vídeo, o policial também comenta os sete procedimentos na Corregedoria dos quais é alvo. Dois deles envolvem o Justiceiro, figura dos quadrinhos da Marvel. Antigamente, ele usava em seu uniforme o símbolo do personagem. Ele afirma que não sabia da proibição e que interrompeu o uso da imagem quando orientado por seu superior.

Outro procedimento apura se o símbolo que adota hoje, de uma pantera, é uma adaptação da marca do Justiceiro.

Outros dois procedimentos apuram afirmações em podcasts. No programa Podpah, ele disse que, "se as pessoas gostam tanto do canal, talvez seja porque a polícia tem que melhorar, porque o canal mostra um trabalho muito simples de polícia". Segundo ele, sua fala não foi bem interpretada.

No Flow Podcast, ele afirmou que há corrupção na cúpula de todos os órgãos governamentais. "A gente não sabe quem que é, mas tem corrupção, sim". Segundo ele, instauraram um procedimento para saber se ele estava falando sobre a cúpula da Polícia Civil de São Paulo

Outro episódio que gerou um procedimento foi sua participação no programa The Noite com Danilo Gentili, quando foi convidado para fazer uma sátira. O policial diz que foi com seu carro, durante suas férias, e que usou armas de borracha fornecidas pelo SBT. De acordo com ele, a cúpula achou que aquilo era uma afronta.

Para Da Cunha, a reportagem vicia os procedimentos administrativos contra ele. "Se eu pratiquei alguma irregularidade ou não, só o fato dele falar que conversou com integrantes e que já estou sentenciado com demissão, ele já tem uma tendência de uma sentença final."

Ele também diz: "Eu acho que é assédio moral e perseguição".

O delegado também afirma que a reportagem não lhe deu prazo para se manifestar antes da publicação. De acordo com ele, o prazo seria 16h de quinta-feira (22), mas a reportagem foi veiculada na terça à tarde.

Por esse motivo, diz, optou por publicar seus argumentos em seu canal no YouTube. "É uma matéria bem tendenciosa e eu vou te processar por conta de todas as inverdades", diz.

Durante a apuração da reportagem, contudo, a Folha de S.Paulo enviou mais de uma mensagem ao delegado. Em uma delas, por equívoco, o prazo para resposta foi apontado como sendo quinta-feira. Depois, esclareceu-se que o prazo seria terça.

O jornal entendeu que o delegado não pretendia se manifestar e, por esse motivo, publicou a reportagem. Deixou claro, porém, que registraria a posição de Da Cunha assim que ele a enviasse, mesmo após a veiculação do texto.

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