Delegado da PF de Minas diz que não faltaram recursos no caso Adélio

Aguirre Talento
Adélio Bispo é levado por agentes da PF após o atentado

Em depoimento prestado ontem em Brasília, o superintendente da Polícia Federal (PF) em Minas Gerais, Cairo Costa Duarte, afirmou que ofereceu “todas as condições materiais e de recursos humanos” para a investigação do atentado sofrido pelo presidente Jair Bolsonaro em setembro de 2018, quando levou uma facada durante um evento da campanha eleitoral em Juiz de Fora (MG).

Cairo foi ouvido pelos investigadores do inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre supostas interferências indevidas de Bolsonaro na PF. A investigação sobre atentado era um dos focos de insatisfação do presidente com a corporação. Bolsonaro tem afirmado que acredita existir um mandante, mas os investigadores concluíram que Adélio Bispo, o autor da facada, agiu sozinho.

“O depoente não se recorda de ter recebido nenhuma recomendação específica em relação ao ‘caso Adélio’, desejando ressaltar que espontaneamente, por se tratar de um caso paradigmático, o depoente ofertou todas as condições materiais e de recursos humanos necessárias ao bom andamento das investigações”, disse Cairo em seu depoimento.

O superintendente afirmou ainda que o delegado Rodrigo Morais, responsável pelo inquérito, nunca se queixou da falta de estrutura ou de dificuldades para trabalhar. Morais também prestou depoimento ontem.

Durante o depoimento, Cairo declarou que nunca recebeu pedidos de informação de Bolsonaro sobre o caso e que não houve nenhuma “recomendação” para a condução dos trabalhos. Relatou, no entanto, que se reuniu por duas vezes com o presidente na capital federal para apresentar o resultado das investigações. A última dessas reuniões foi na semana passada, na companhia do atual diretor-geral da PF, Rolando Alexandre de Souza, e de Rodrigo Morais.

De acordo com Cairo, Bolsonaro não demonstrou insatisfação com a investigação.

“Em ambas as oportunidades, os encontros tiveram por objetivo a exposição ao senhor presidente da República do resultado das investigações referentes à tentativa de homicídio de que ele foi vítima na campanha de 2018”, disse o superintendente.

Questionado se repassou informações do inquérito sobre candidaturas-laranja do PSL para o presidente, Cairo negou e disse que nunca recebeu cobranças a respeito da investigação que envolve o antigo partido de Bolsonaro.

Entraves jurídicos

Aos investigadores, o delegado Rodrigo Morais deu detalhes sobre a reunião com Bolsonaro na sexta-feira passada. Segundo ele, o presidente não fez reclamações sobre o caso.

“Perguntado se nessa nova oportunidade o presidente da República apresentou insatisfação com relação à investigação e/ou questionamentos, respondeu que houve questionamento no sentido de elucidar dúvidas, sendo que ao final, aparentemente, reconheceu o esforço investigativo, não se mostrando insatisfeito com o trabalho realizado pela Polícia Federal”, diz trecho do depoimento de Morais.

O delegado narrou também que, no encontro mais recente com o presidente, foram apresentados os entraves jurídicos do inquérito. A Justiça Federal impediu as quebras de sigilo do advogado de Adélio, solicitado para verificar a existência de possíveis mandantes no crime. Por isso, Morais afirma que o relatório da investigação apresentado foi apenas parcial, já que essas diligências ficaram pendentes:

“Foi apresentado à Justiça com relatório parcial, não podendo tecnicamente ser chamado conclusivo, já que há cautelares com recursos pendentes de julgamento, o que deixa uma linha investigativa aberta”, disse Morais.

Por fim, o delegado destacou que teve dedicação exclusiva ao caso do atentado contra Bolsonaro e que recebeu todos os meios operacionais necessários para a investigação.