Delegado da PF que investiga incêndios no Pantanal diz que fogo 'não pode ser acidente'

João de Mari
·2 minuto de leitura
A firefighter tries to put out a fire next to the Transpantaneira road at the Pantanal wetlands near Pocone, Mato Grosso state, Brazil, Monday, Sept. 14, 2020. A vast swath of the vital wetlands is burning in Brazil, sweeping across several national parks and obscuring the sun behind dense smoke. (AP Photo/Andre Penner)
Um bombeiro tenta apagar um incêndio próximo à estrada Transpantaneira no Pantanal, no Mato Grosso, na segunda-feira, 14 (Foto: AP Photo/Andre Penner)

O delegado da Polícia Federal (PF) Alan Givigi, que conduz investigações sobre as queimadas no Mato Grosso do Sul, afirmou, nesta segunda-feira (14), que o fogo que está consumindo o Pantanal, o maior bioma do mundo, “não pode ser acidente”.

“As queimadas começaram em fazendas da região, em espaços inóspitos, dentro das fazendas, onde não há nada perto, o que nos faz entender que não pode ser acidente. Teoricamente, alguém foi lá para isso (colocar fogo)”, disse o delegado ao jornal Estadão.

Na segunda (14), documentos e celulares de fazendeiros do Mato Grosso do Sul foram apreendidos pela PF como parte da Operação Matáá, que tem o objetivo de investigar as queimadas no Pantanal. Segundo o Estadão, os investigadores veem indícios de queimadas deliberadas para criação de área de pasto onde antes era mata nativa.

Leia também

“O fogo nesse caso seria para queima da mata nativa para fazer pasto. Já que não pode desmatar, porque é área protegida, coloca fogo e o pasto aumenta, sem levantar suspeita”, afirmou o delegado Givigi.

Durante as diligências, na casa de área urbana de um dos proprietários rurais, em Corumbá, foram encontradas e apreendidas armas e munições de uso restrito. De acordo com o jornal, o dono da fazenda preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Ele tinha duas pistolas, um revólver, 108 munições de calibre permitido e 44 de calibre restrito.

Segundo o Estadão, até o começo noite desta segunda foram oficialmente cumpridos quatro de 10 mandados de busca e apreensão. Os suspeitos poderão responder pelos crimes de dano à floresta de preservação permanente, dano direto e indireto a Unidades de Conservação, incêndio e poluição.