Delegado diz que foi sondado por Ramagem, a pedido de Bolsonaro, para assumir PF do Rio

Bela Megale e Aguirre Talento
Superintendente da Policia Federal no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva

BRASÍLIA - O superintendente da Polícia Federal do Amazonas, Alexandre Saraiva, disse em depoimento nesta quarta-feira que foi sondado, no ano passado, para ocupar a superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. A ligação foi feita, segundo ele, pelo diretor da Abin, Alexandre Ramagem, nome de confiança do presidente dentro do órgão.

Saraiva relatou que no início do segundo semestre de 2019, recebeu uma ligação de Ramagem “perguntando se aceitaria assumir a superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro”. O delegado conta que “prontamente aceitou”. Também relatou que “não recorda qual cargo Ramagem ocupava na época do convite, mas lembra “dele ter afirmando que o presidente Jair Bolsonaro tinha alguns nomes para sugerir ao Ex. Ministro Sergio Moro para ocupara função”.

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Desde julho Ramagem é diretor da Abin. Ele chegou a ser nomeador pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir a direção-geral da PF, mas o ato foi suspendo pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

O delegado afirmou que ambos conversavam muito por que “são amigos” e que confidenciou a Ramagem que não acreditava que o então diretor-geral, Maurício Valeixo, efetivaria sua indicação para o comando da PF no Rio. Disse também que, poucos meses antes dessa ligação, Sergio Moro chegou a convidá-lo para assumir a presidência da Funai, mas que depois não teve retorno sobre a proposta.

Saraiva conta que o próprio Moro chegou a questioná-lo, posteriormente, sobre a “história de ir para o Rio” e que finalizou o assunto dizendo que estava sabendo dos fatos. O delegado diz que os fatos relatados mostram que Moro não tinha “rejeição” ao seu nome e que a “resistência”, no seu entender, partiu da administração do então diretor-geral, Maurício Valeixo. Saraiva também negou “qualquer vínculo de amizade com o presidente da República e seus familiares” e disse que não voltou a ser sondado para comando da PF do Rio neste ano, após a troca de comando no órgão.

O superintendente também relatou que, em dezembro de 2018, foi sondado a assumir o Ministério do Meio Ambiente da atual gestão presidencial. Conta que na ocasião, chegou a falar com o presidente Jair Bolsonaro por telefone e que se encontraram pessoalmente e conversaram por duas horas sobre temas ligados a questões ambientais. O convite, porém, não foi efetivado.

Saraiva negou ter qualquer amizade ou vínculo pessoal com Bolsonaro ou seus filhos.

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