Delegado Olim diz que a deputada Isa Penna teve "sorte" ao ser assediada

·3 min de leitura
"Ela [Isa] vai se eleger por causa disso", disse. (Foto: Reprodução/Twitter)
"Ela [Isa] vai se eleger por causa disso", disse. (Foto: Reprodução/Twitter)

O Delegado Olim, deputado estadual do (PP) afirmou nesta quarta-feira (20) durante entrevista ao podcast "Inteligência Ltda", que a deputada Isa Penna (PCdoB) teve "sorte" ao ser assediada dentro do plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) no final de 2020, pelo também deputado Fernando Cury.

"Foi um dia, final de ano. Acho que ele estava lá dentro dos gabinetes. Ele bebeu. Porque ele é um cara do bem, todo mundo adora ele. Eu acho que o que ele fez ali ele também nunca mais vai esquecer na vida dele. Eu não queria estar no lugar dele, porque ficou muito ruim para ele e nunca vão esquecer. É como o próprio Arhur. Hoje, duvido que ele consiga ter meio milhão de votos. Ele vai lembrar muito do que aconteceu e não é tudo que você pode fazer na vida", disse Olim na entrevista.

Em resposta aos risos, o apresentador do podcast, então, afirma que "o cara deu uma apalpada nas tetas da mulher" se referindo ao episódio de Fernando Cury a deputada Isa Penna, ao que Olim dispara: "Sorte dela, que ela vai se eleger por causa disso".

O apresentador questiona: “sério?” e o deputado responde: "Ah, sim, ela só fala nisso".

A deputada Isa Penna teve os seios apalpados pelo deputado Fernando Cury, que chegou a ser punido com seis meses de suspensão de mandato.

Delegado Olim foi relator do pedido de cassação de Arthur do Val, que renunciou na noite desta quarta-feira ao mandato de deputado da Alesp.

Em nota, a assessoria de Isa Penna informou que acionará o Ministério Público contra Olim.

"Seu comportamento é desrespeitoso não só comigo, mas com todas as mulheres que todos os dias lutam contra o machismo, muitas delas suas eleitoras. Assim como o deputado Arthur do Val, que tenta fugir da punição por ter, sim, dito frases sexistas e degradantes sobre as mulheres. Que seu caso sirva de lição para todos os parlamentares, que devem saber que os ataques contra as mulheres brasileiras serão, sim, punidos", diz o texto.

Violência política de gênero

Apesar de em agosto do ano passado ter sido sancionada a lei que define normas para prevenção e combate à violência política contra a mulher no país, os casos continuam. E em ano eleitoral eles tendem a se tornar mais frequentes, como podemos ver no caso da deputada Isa Penna, que revelou em fevereiro deste ano que ela e a família estavam sendo ameaçados por grupos de extrema-direita, que se organizam na deepweb – isto é, no submundo da internet.

Segundo a legislação, a violência política de gênero pode ser caracterizada como todo e qualquer ato com o objetivo de excluir a mulher do espaço político, impedir ou restringir seu acesso ou induzi-la a tomar decisões contrárias à sua vontade. As mulheres podem sofrer violência quando concorrem, já eleitas e durante o mandato.

Essa violência é considerada uma das causas da sub-representação das mulheres no Parlamento e nos espaços de poder e decisão e prejudica a democracia no país.

A lei também determina que o estatuto do partido político deve conter normas sobre prevenção, sanção e combate à violência política contra a mulher. E faz alterações no Código Eleitoral para incluir a previsão de crimes contra a mulher na política. Dentre essas alterações, proíbe a propaganda que deprecie a condição da mulher ou estimule sua discriminação em razão do sexo feminino, ou em relação à sua cor, raça ou etnia.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos