Delegado ouvirá nesta semana suspeita de atacar criança com ofensa racista na Zona Oeste

O delegado Bruno Gilaberte, da 34ª DP (Bangu), disse nesta terça-feira que já tem uma suspeita de ser a responsável pelos ataques racistas a uma criança que brincava numa pracinha em Senador Camará, na Zona Oeste do Rio. O delegado confirmou que essa mulher, cuja identidade não foi revelada por ele, será ouvida na delegacia ainda nesta semana.

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Os ataques à criança, que brincava na Praça do Viegas foram filmados com um aparelho de telefone celular e postadas na internet. "Você tem inveja porque ela tem a pele branca", disse uma mulher a uma menina negra, nas imagens que circularam nas redes sociais. A cena teria ocorrido na noite deste domingo (29).

Ao lado de uma menina branca que seria sua filha, a mulher diz ainda para a outra menor, que não aparece no vídeo: "Você não é amiga dela não, você tem inveja dela porque ela tem mais do que você. E melhor. E ela é mais bonita e tem a pele branca".

O delegado Bruno Gilaberte disse que as imagens indicam se tratar de um ato de preconceito e não injúria racial. Isso, porque se tratou de um ofensa genérica e não individualizada. Nos dois casos a pena varia de um a três anos de reclusão.

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— Na injúria há uma particularização da ofensa. Ela é individualizada. Na Lei 7.716, há uma generalização. Quando a autora fala que a filha (dela) é mais bonita e melhor porque tem a pele branca, isso é uma generalização. Ela não falou que a vítima é feia porque é negra, mas sim que a pele branca e mais bonita que a pele negra — explicou.

O delegado disse que a mãe ainda não procurou a delegacia para fazer o registro de ocorrência. Mas, segundo ele, isso não impede que a investigação seja aberta

— Sendo um caso de injúria por preconceito, a gente precisaria de uma representação da vítima (para abrir um inquérito), no caso, dos pais da criança. Agora, no crime de preconceito, quando a ofensa é genérica e direcionada a um grupo ou classe de pessoas, podemos registrar sem representação da vítima. Pelo vídeo, é sim um caso de preconceito, então estamos abrindo uma ocorrência para investigar o caso — afirmou Gilaberte .

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