Delegado preso falou em perseguição e ameaçou promotores um mês antes de prisão

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Um mês antes de ser preso, o ex-secretário da Polícia Civil Allan Turnowski gravou um vídeo no qual afirmava ser vítima de perseguição política e ameaçou promotores caso fosse eleito deputado federal.

A gravação, divulgada nesta sexta-feira (9) por sua assessoria de imprensa, foi feita em 11 de agosto, segundo diz o delegado. Nela, ele chama os promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado) de "escória do Ministério Público", "arapongas" e "canalhas".

"Por que vão entrar na minha casa? Por perseguição política, porque vocês sabem que estou forte na minha campanha. E, como deputado federal, o jogo vai inverter. Hoje, só vocês podem armar para mim. Mentiras, inverdades, fazer uma costura para tentar me desmoralizar", diz Turnowski, candidato pelo PL.

"Eu não posso investigar vocês, porque vocês são protegidos. Mas vocês não merecem a proteção que o Ministério Público tem. Vocês são a exceção, a escória do Ministério Público. Eu vou ser deputado federal e vou abrir investigação contra vocês. Vocês são canalhas, arapongas. Viveram fazendo falsos dossiês no RJ."

Turnowski foi preso nesta sexta-feira (9) sob acusação de colaborar com contraventores do jogo do bicho. O Ministério Público ainda não divulgou detalhes da denúncia, ainda sob sigilo.

A defesa do ex-chefe da Polícia afirmou que aguarda acesso aos autos para se manifestar. A Polícia Civil afirmou, em nota, que ainda não recebeu a denúncia, mas disse que foi na atual gestão "que os três chefes das principais facções da contravenção, Rogério Andrade, Bernardo Bello e José Caruzzo Escafura, o 'Piruinha', foram investigados e tiveram os pedidos de prisão solicitados à Justiça".

Uma possível investigação contra o ex-secretário já era comentada nos bastidores da Polícia Civil desde a busca e apreensão em maio na casa do inspetor Vinicius de Lima Gomez, ligado a Turnowski, na Operação Calígula sob suspeita de atuar em favor do bicheiro Rogério Andrade.

De acordo com denúncia do Ministério Público, o agente "ostenta uma peculiar proximidade tanto com os supostos criminosos atuantes no estado do Rio de Janeiro, quanto com agentes públicos que ocuparam o alto escalão da Polícia Civil fluminense".

"No material probatório, há um volume relevante e muito significativo de dados que confere plausibilidade à afirmação do MP de que o denunciado Vinícius é personagem emblemático, especialmente porque flutua com peculiar destreza entre os dois polos de uma conturbada e inexplicável relação de proximidade existente entre a polícia e o crime organizado", diz trecho da denúncia.

Em seu vídeo, o delegado afirma que "desde quarta-feira [10/08] estou ouvindo que o Gaeco e a Polícia Federal vão vir aqui na minha casa fazer busca e apreensão".

"Não mudei minha rotina. Continuei fazendo minha pré-campanha. Já fui perseguido politicamente há alguns anos atrás. Eu avisei que seria absolvido e acabou que não fui nem processado. Apenas atingiram a minha imagem, me tiraram da chefia e eu fiquei anos fora da Polícia Civil."

A fala é referência ao indiciamento de que foi alvo em 2011 sob suspeita de vazar uma operação da Polícia Federal a um investigado. O caso, porém, foi arquivado a pedido do Ministério Público.