DEM vence em 9 das 30 maiores cidades da Bahia e acirra disputa com PT pelo governo do estado em 2022

JOÃO PEDRO PITOMBO
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***ARQUIVO**BRASÍLIA: Presidente do DEM e atual prefeito de Salvador, ACM Neto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO**BRASÍLIA: Presidente do DEM e atual prefeito de Salvador, ACM Neto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Além de eleger o vice-prefeito Bruno Reis em Salvador com a maior votação dentre as capitais brasileiras, o DEM ganhou as eleições em 9 das 30 maiores cidades da Bahia, consolidando seu melhor desempenho no estado desde 2004.

Ao todo, o partido saiu das urnas com 37 prefeituras no estado e governará, nos municípios, cerca de 30% da população baiana a partir de 2021.

O bom desempenho nas cidades grandes e médias da Bahia promete acirrar a disputa pelo governo estadual em 2022. Com o fim do ciclo de oito anos do governador Rui Costa (PT), o pleito deve colocar em lados opostos o prefeito ACM Neto (DEM) e o senador Jaques Wagner (PT).

A vitória de Bruno Reis na capital era considerada crucial para o futuro do DEM, que está na oposição na Bahia desde 2007.

O partido vinha de um desempenho ruim na eleição de 2018, quando ACM Neto desistiu de deixar a prefeitura e disputar o governo do estado. Rui Costa acabou reeleito com 75% dos votos.

Na eleição de Salvador neste ano, o cenário foi o oposto. Bruno Reis saiu das urnas com 64,2% dos votos, vencendo em todas as zonas eleitorais da capital baiana e registrando os melhores resultados em bairros da periferia.

A candidata Major Denice (PT), policial militar que se filiou ao partido somente neste ano, teve 18,9% dos votos, consolidando o pior desempenho dos petistas na disputa pela Prefeitura de Salvador desde 1988 em uma eleição marcada pela fragmentação da esquerda.

O DEM ainda venceu em cidades importantes como Camaçari, Teixeira de Freitas, Eunápolis, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, dentro de uma estratégia de priorizar os municípios baianos com mais de 50 mil eleitores.

"O resultado foi muito satisfatório. É evidente que em 2022 vai passar por vários aspectos, mas foi uma sinalização muito clara no sentido de que o estado está buscando uma mudança", afirma o presidente estadual do DEM, deputado federal Paulo Azi.

Apesar de ter perdido na capital, o PT disputa o segundo turno nas duas maiores cidades do interior da Bahia: Feira de Santana e Vitória da Conquista. As duas eleições prometem ser acirradas.

Em Feira de Santana, o deputado federal Zé Neto (PT) terminou o primeiro turno com 41,5% dos votos, contra 38,2% do atual prefeito, Colbert Martins (MDB).

Já em Vitória da Conquista, cidade que foi governada pelo PT entre 1996 e 2016, a diferença foi ainda menor. O deputado estadual e ex-prefeito Zé Raimundo (PT) terminou na frente com 47,6% dos votos, ante 45,9% do prefeito e candidato à reeleição, Herzem Gusmão (MDB).

Nas demais cidades de maior porte, contudo, o desempenho do PT foi aquém do registrado nas últimas eleições. Sem contar as cidades onde disputa o 2º turno, o PT elegeu 32 prefeitos e governará 5,4% da população baiana a partir do ano que vem.

Nas 30 maiores cidades, o PT venceu apenas em Lauro de Freitas, onde a prefeita Moema Gramacho foi reeleita e segue para o seu quarto mandato. Considerando as 50 maiores cidades, também venceu em Santo Estevão.

Procurado para comentar o desempenho do partido na eleição, o presidente estadual do PT, Éden Valadares, não atendeu às ligações da reportagem.

Dois anos antes da eleição estadual, o DEM faz um caminho parecido ao que o próprio PT fez antes de conquistar o Governo da Bahia em 2006.

Em 2004, os petistas ajudaram a derrotar o então PFL em Salvador, com a eleição de João Henrique (então no PDT) e venceram em grandes cidades como Camaçari, Lauro de Freitas e Vitória da Conquista, formando uma espécie de cinturão vermelho.

Na época, o PT também avançou sobre antigos aliados do PFL e costurou uma aliança ampla que incluiu o então PMDB de Geddel Vieira Lima e até um apoio informal do PSDB.

Neste ano, o DEM atraiu para sua base em Salvador o PDT e o PL, dois partidos que integravam a base aliada de Rui Costa.

Para evitar mais avanços sobre siglas da base, o PT precisará cuidar das suas feridas internas --o que inclui disputas dentro do partido de alas ligadas a Rui Costa e a Jaques Wagner-- e tentará manter ao seu redor os dois maiores partidos aliados, PP e PSD.

O PSD dos senadores Otto Alencar e Angelo Coronel saiu das urnas na Bahia com o maior número de prefeitos, 105 no total, e governará nos municípios cerca de 17% da população baiana. O PP elegeu 86 e será o segundo partido com mais prefeitos no estado.