Demanda por petróleo desacelera em 2017, mas EUA produzirão mais

Por Martine PAUWELS
Posto de gasolina em Nova Délhi, em 29 de setembro de 2016

O consumo mundial de petróleo vai crescer um pouco menos que o esperado em 2017, enquanto os países de fora da OPEP, incluindo os Estados Unidos, extrairão mais petróleo, uma tendência que pode influenciar um mercado que está próximo do equilíbrio, estimou nesta quinta-feira a AIE.

A Agência Internacional de Energia (AIE) reduziu sua previsão para o crescimento da demanda mundial de petróleo, mas observou em seu relatório mensal que a mesma pode até "ser otimista".

A agência espera agora um aumento de 1,3 milhão de barris por dia (mbd), com 97,9 mbd de consumo mundial de petróleo, em comparação com a sua previsão anterior de uma alta de 1,4 mbd.

A AIE explica esta desaceleração pela queda do consumo dos países desenvolvidos membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), principalmente Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul.

Somado a esta demanda menos importante, a agência observa um aumento na produção procedente de países de fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Depois de uma queda de 790.000 barris por dia em 2016, esses países devem extrair 485.000 bpd a mais neste ano, até alcançar 58,1 mbd, graças, principalmente, à forte recuperação na atividade de perfuração do outro lado do Atlântico, onde o aumento do preços acima de 50 dólares o barril volta a atrair os investidores para o setor de óleo de xisto.

"A produção de americana chegará a 9,5 mbd ao final do ano, ou seja, mais de 690.000 bd que no fim de 2016", informa a agência energética da OCDE.

- O avesso da moeda -

Este aumento dificulta parcialmente os esforços da Opep e de outros 11 países produtores, como a Rússia, realizados desde o início de 2017 para reduzir a produção e conseguir que o mercado, inundado pelo excesso de oferta, se aproximasse do "equilíbrio", segundo a AIE.

Em março, a oferta global caiu 755.000 bpd, a 95,98 mbd, um nível que é ainda superior aos 195.000 bd do ano anterior no mesmo período.

A Opep produziu 365.000 bp a menos no mês passado, a 31,68 mbd, após a Arábia Saudita, Nigéria e Líbia reduzirem sua produção. Estes últimos dois países não são afetados pela limitação da oferta.

No meio do caminho, a cartel petrolífero concluiu quase completamente (99%) o compromisso firmado em novembro de 2016 de baixar a produção em 1,2 mdb por um período de seis meses renováveis ​​a partir de 1º de janeiro.

Para seus 11 países parceiros, que decidiram seguir os seus passos, incluindo a Rússia, a promessa de reduzir sua oferta em 558.000 bd foi respeitada em 64% em março, uma melhora em relação aos 38% no mês anterior.

Na sua próxima reunião em Viena, no final de maio, a Opep pode decidir prosseguir com seus esforços para reduzir a produção durante todo o ano de 2017, uma medida defendida pela Arábia Saudita.