Demanda por Uber cai até 70% em cidades afetadas pela epidemia de coronavírus

NOVA YORK — Em meio à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, executivos da Uber se movimentaram para garantir aos investidores que a companhia está pronta para sobreviver ao momento difícil. Em teleconferência, o diretor executivo, Dara Khosrowshahi, afirmou que em algumas cidades bastante afetadas pela doença, como Seattle, o número de viagens caiu 70%, mas a empresa está pronta para enfrentar até mesmo o pior cenário, de queda de 80% na demanda pelo resto do ano.

Listada em bolsa desde o ano passado, a situação da empresa não era das melhores desde antes da epidemia, com prejuízo de US$ 8,5 bilhões e grande número de demissões em 2019. Nesta semana, a empresa cancelou a opção de viagens coletivas, para minimizar os riscos de contaminação, mas a medida levantou dúvidas entre investidores se a empresa está preparada para superar a crise.

Na conferência, Khosrowshahi afirmou ser cedo para atualizar as expectativas para o segundo trimestre, mas acalmou investidores ao afirmar que a companhia possui US$ 10 bilhões em caixa, o que dá flexibilidade para lidar com quedas na demanda. Além disso, a empresa adotou medidas emergenciais, como o congelamento nas contratações e cortes em marketing e recrutamento, que geraram economia de US$ 150 milhões.

— Em qualquer crise, a liquidez é fundamental — afirmou o executivo.

Após a conferência, as ações da companhia dispararam quase 40%. Por volta das 17h, pelo horário de Brasília, os papéis eram negociados a US$ 20,49. Apesar da recuperação, as ações valem a metade da cotação da oferta pública inicial, de US$ 42. No ano, as perdas são de 31%.

Para Khosrowshahi, o cenário mais provável é que cidades afetadas pela epidemia se recuperem num período de dois meses.

— Assim que as cidades começarem a se mover, a Uber vai junto — afirmou Khosrowshahi. — As pessoas querem voltar a trabalhar, elas querem voltar a viver.

E a queda na demanda pelo transporte acontece junto com aumento na demanda por serviços de entrega, o Uber Eats. Com as pessoas em casa, o delivery de comida e de outros produtos deu um salto. Tanto que Khosrowshahi encoraja motoristas que estão sem passageiros se aventurem no serviço.