Demissão do presidente da Funasa é publicada no Diário Oficial

Gustavo Maia

BRASÍLIA - Alvo de operação da Polícia Federal (PF) na semana passada, o presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Ronaldo Nogueira, foi exonerado, como antecipou O GLOBO. A demissão foi publicada na edição do Diário Oficial da União desta quarta-feira, assinada pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O governo ainda não nomeou um substituto, mas a previsão é que o nome seja indicado ao governo pela bancada evangélica. A exoneração foi registrada como "a pedido".Em nota publicada no site da Funasa na noite de terça, Nogueira, que foi ministro do Trabalho do governo do ex-presidente Michel Temer, disse ter tomado a "decisão individual" de apresentar seu pedido de demissão "em virtude das notícias veiculadas na imprensa nacional nos últimos dias, com ilações sobre o meu nome". "Tomei a iniciativa deste gesto por entender ser o melhor a ser feito no momento", escreveu."Desta forma, terei mais tempo para dedicar-me à minha defesa e para trazer à luz a verdade dos fatos, bem como, preservar as atividades e a integridade da Funasa, fundação esta que aprendi a admirar e a respeitar, pela importância do seu trabalho para o povo brasileiro", justificou Nogueira, que agradeceu a confiança do presidente Jair Bolsonaro e o apoio dos ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e da Casa Civil. "Tenho absoluta convicção da minha inocência em relação às denúncias envolvendo meu nome e, com toda a serenidade necessária, provarei isso junto às instâncias responsáveis", concluiu.Na terça, no entanto, O GLOBO informou que o governo já buscava um nome para substituí-lo. A avaliação foi que sua permanência no cargo ficou insustentável após a ação da Polícia Federal. Evangélico, o ex-deputado federal Ronaldo Nogueira (PTB-RS) foi alçado ao comando da Funasa com o apoio da bancada religiosa na Câmara.Na última quinta-feira, a PF deflagrou a Operação Gaveteiro, que apura desvios do extinto Ministério do Trabalho. O prédio da Funasa foi um dos alvos. A investigação tenta identificar desvios por meio da contratação de uma empresa da área de tecnologia. O objeto da contratação foi a aquisição de solução de tecnologia e licenças, voltadas a gerir sistemas informatizados da pasta e detectar fraudes na concessão de seguro-desemprego.As investigações apontam que a contratação da empresa foi um meio usado pela Organização Criminosa para desviar, entre 2016 e 2018, mais de R$ 50 milhões de reais do órgão. Ronaldo Nogueira era um dos alvos da operação. Além dele, também estão na mira da PF Pablo Tatim, ex-assessor de Onyx Lorenzoni na Casa Civil, e o ex-deputado federal Jovair Arantes (PTB-GO). Tatim foi exonerado há um ano, depois que a Controladoria-Geral da União publicou um relatório sobre desvios de dinheiro no Ministério do Trabalho.Em 2016, quando ainda tinha mandato de deputado federal, Ronaldo Nogueira assumiu a pasta no governo Temer. Sua passagem pelo miistério ficou conhecida pela aprovação da reforma trabalhista no Congresso e também por polêmicas alterações nas regras de fiscalização do trabalho escravo.