Demitido do comando do Exército, general comunica saída em reunião com a cúpula da Força e pega militares de surpresa

Demitido neste sábado do posto de comandante do Exército, o general Júlio César Arruda convocou o Alto do Comando da Força nesta manhã para anunciar a sua saída. A reunião, chamadas às pressas, ocorreu por vídeoconferência próximo ao meio-dia. Coube ao próprio Arruda informar os colegas sobre seu desligamento.

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A demissão, determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pegou generais de surpresa, principalmente por ocorrer um dia após a reunião entre os comandantes das Forças e o petista, no Palácio do Planalto. Depois do encontro com o presidente, ontem, Arruda relatou a interlocutores que a conversa havia sido positiva.

A troca de comando, segundo O GLOBO apurou, está relacionada à falta de alinhamento do general com Lula e ao comportamento do militar diante de acampamentos antidemocráticos que se instalaram em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília. Na avaliação de integrantes do governo, Arruda teria protelado a desocupação dos alojamentos e, após a invasão às sedes dos Poderes, não vinha contribuindo para o processo de pacificação entre o presidente e a caserna, mostrando-se resistente.

Além disso, um episódio recente agravou o incômodo com Arruda. Ele vinha resistindo a revogar a designação do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, para comandar o 1º Batalhão de Ações e Comandos, unidade de Operações Especiais. Cid foi escolhido para o posto em maio, durante a gestão anterior, mas só o assumiria em fevereiro. O Planalto já havia indicado que esperava que Arruda anulasse a nomeação.

Nesta semana, militares relataram ao GLOBO que o afastamento do general Arruda já vinha sendo discutida tanto no Exército quanto no Ministério da Defesa, mas por motivo de saúde. Porém, a hipótese foi rechaçada. Na última quarta-feira, em resposta a um questionamento do GLOBO, o Exército informou que o comandante seria submetido a uma cirurgia eletiva, "por meio de um procedimento com baixa complexidade", que não exigiria o seu afastamento do cargo.

O Exército ainda não se manifestou sobre a troca do Comando. A Força só deve se pronunciar após o Ministério da Defesa.