Demitido por interino, secretário do Índio volta ao cargo em RR

MARCELO TOLEDO

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Após nove dias, o indígena Dilson Ingarikó, 42, voltou nesta quarta-feira (26) a ocupar o cargo de secretário do Índio de Roraima, após se envolver num imbróglio com o governador interino do Estado, Paulo Quartiero (DEM).

Uma das primeiras medidas de Quartiero ao assumir o governo foi demitir Ingarikó no dia 17. Ele ficou no cargo até esta terça-feira (25), substituindo a governadora Suely Campos (PP), que tinha pedido afastamento da função.

Quartiero afirmou que Ingarikó celebrou a demarcação da terra indígena Anzol, determinada pela Justiça Federal, em redes sociais, e que isso era "uma traição, uma leviandade, um deboche".

"Se fosse em situação de guerra, ele teria de ser fuzilado, na realidade, mas como nós temos democracia, ele foi demitido", disse Quartiero em coletiva. Ele e Suely estão rompidos politicamente desde o início da gestão.

Nesta quarta (26), ela participou de uma assembleia de tuxauas (líderes indígenas) no Palácio da Cultura e anunciou a volta de Ingarikó ao cargo. Hugo Cabral, que também tinha sido demitido por Quartiero, reassumirá como adjunto.

A governadora disse que o secretário que retornou representa as jovens lideranças indígenas e tem respeito dos mais antigos.

Ingarikó nega ter publicado algo sobre o tema, mas disse defender as demarcações e "não negar apoio à causa".

Roraima tem cerca de 50 mil indígenas distribuídos em mais de 30 comunidades, para uma população superior a 500 mil habitantes. Entre as terras indígenas mais conhecidas estão Raposa/Serra do Sol, São Marcos, Vaimiri-atroari e Ianomâmi.