'Democracia em vertigem' polariza as redes sociais novamente após não levar o Oscar

RIO — Mesmo não tendo levado o Oscar de melhor documentário, "Democracia em vertigem" segue transformando as redes sociais num "fla-flu" ideológico. Basicamente, o filme de Petra Costa vem polarizando artistas, políticos e personalidades da internet em dois grupos: perfis mais alinhados à esquerda celebraram a importância de uma produção brasileira ter concorrido ao Oscar, enquanto o espectro mais à direita comemorou o fato de Petra não ter levado a estatueta para casa.

"Democracia em vertigem" traça um panorama das condições políticas que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff a partir do olhar pessoal da diretora. O documentário brasileiro foi desbancado por "Indústria americana", filme de Reichert e Steven Bognar. Confira a lista completa de vencedores.

O filho do presidente Jair Bolsonaro e deputado federal Eduardo Bolsonaro ironizou a produção de Petra numa postagem. Ele chamou o filme de "farsa em forma de documentário".

Por outro lado, a deputada federal Gleisi Hoffmann afirmou que, apesar da produção não ter vencido o Oscar, a participação no prêmio "foi um oásis para o Brasil num deserto de vergonha que temos passado perante o mundo".

A página do Movimento Brasil Livre (MBL) usou a derrota para alfinetar Petra Costa pelo episódio envolvendo a manipulação de uma imagem histórica que aparece no filme. A diretora removeu as armas que apareciam numa foto.

Já Guilherme Boulos rebateu o incômodo provocado pelo filme em grande parte da direita citando Tom Jobim: "No Brasil, sucesso é ofensa pessoal..."

Apesar da esfera conservadora ter comemorado a "derrota" de Petra Costa, o que simbolizaria o insucesso de uma narrativa de esquerda veiculada pelo documentário, o discurso dos vencedores da categoria em que a brasileira concorreu jogou um balde de água fria na festa da direita.

Em sua fala de agradecimento na cerimônia do Oscar, a codiretora de "Indústria americana", Julia Reichert, citou uma célebre frase do "Manifesto comunista".

— Os trabalhadores têm cada vez mais dificuldade hoje em dia, e acreditamos que as coisas vão melhorar quando os trabalhadores do mundo se unirem — disse a americana fazendo referência à frase "Trabalhadores do mundo, uni-vos" que se tornou um slogan da obra de Karl Marx e Friederich Engels.