"Democracia só não tem lugar para quem pretenda destruí-la", diz presidente do TSE

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Sessão plenária do TSE, sob a presidência do ministro Luís Roberto Barroso, em 02.09.2021. (Prints: Abdias Pinheiro/SECOM/TSE)
Sessão plenária do TSE, sob a presidência do ministro Luís Roberto Barroso, em 02.09.2021. (Prints: Abdias Pinheiro/SECOM/TSE)
  • O presidente do TSE afirmou que a democracia "só não tem lugar para quem pretenda destruí-la"

  • O ministro Luís Roberto Barroso criticou os ataques que a Justiça Eleitoral tem sofrido

  • Barroso afirmou ainda que vai anunciar a composição da comissão externa de transparência

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, criticou os ataques que a Justiça Eleitoral tem sofrido e afirmou que a democracia "só não tem lugar para quem pretenda destruí-la".

Durante a abertura da sessão plenária de julgamento do TSE desta quinta-feira (9), o ministro elevou o tom do discurso para rebater aqueles que têm colocado em dúvida a lisura do processo eleitoral do país. Esse tipo de declaração tem sido recorrente por parte do presidente Jair Bolsonaro e de seus apoiadores.

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"Não podemos permitir a destruição das instituições para encobrir o fracasso econômico, social e moral que estamos vivendo. A democracia tem lugar para conservadores, liberais e progressistas. O que nos une na diferença é o respeito à constituição, aos valores comuns que compartilhamos e que estão nela inscritos. Só não tem lugar para quem pretenda destruí-la", destacou.

Resposta às declarações de Bolsonaro

Presidente Jair Bolsonaro em manifestação (Foto: AFP / Miguel SCHINCARIOL)
Presidente Jair Bolsonaro em manifestação (Foto: AFP / Miguel SCHINCARIOL)

O presidente do TSE, em determinado momento de sua fala, se dedicou a responder alguns pontos do discurso do presidente Jair Bolsonaro feito no Dia da Independência.

Sobre Bolsonaro ter questionado a segurança do sistema eleitoral, Barroso foi enfático. "O sistema é certamente inseguro para quem acha que o único resultado possível é a própria vitória. Como já disse antes, para maus perdedores não há remédio na farmacologia jurídica", ressaltou.

O presidente da República defendeu ainda a "contagem pública de votos" e Barroso também respondeu. "Contagem pública manual de votos é como abandonar o computador e regredir, não à máquina de escrever, mas à caneta tinteiro. Seria um retorno ao tempo da fraude e da manipulação. Se tentam invadir o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, imagine-se o que não fariam com as seções eleitorais!".

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Barroso afirmou ainda que "insulto não é argumento". "Ofensa não é coragem. A incivilidade é uma derrota do espírito. A falta de compostura nos envergonha perante o mundo. A marca Brasil sofre, nesse momento, uma desvalorização global. Somos vítimas de chacota e de desprezo mundial", apontou.

O presidente do TSE citou ainda a realidade brasileira no cenário mundial e não poupou críticas. "Um desprestígio maior do que a inflação, do que o desemprego, do que a queda de renda, do que a alta do dólar, do que a queda da bolsa, do que o desmatamento da Amazônia, do que o número de mortos pela pandemia, do que a fuga de cérebros e de investimentos. Mas, pior que tudo, nos diminui perante nós mesmos". 

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