Democratas exigem que Trump peça desculpas a Obama sobre acusação de grampos

Washington, 20 mar (EFE).- Líderes democratas do Congresso dos Estados Unidos pediram nesta segunda-feira que o presidente do país, Donald Trump, peça desculpas por acusar sem provas o ex-presidente Barack Obama de ter grampeado a Trump Tower de Nova York durante a campanha eleitoral do ano passado.

O pedido foi feito por Chuck Schumer, líder da minoria democrata no Senado, e Nancy Pelosi, que exerce a mesma função na Câmara dos Representantes, após a primeira audiência pública sobre a interferência da Rússia nas eleições de novembro e na qual testemunharam o diretor do FBI, James Comey, e o da Agência de Segurança Nacional (NSA), Michael Rogers.

"O diretor do FBI confirmou o que membros de ambos os partidos, tanto na Câmara dos Representantes como no Senado, já disseram: o presidente Obama não ordenou nenhuma intervenção de comunicações na Trump Tower. Não há 'poréns' sobre o assunto", disse Schumer.

"Ao tweetar essa acusação e tentar validar as teorias não provadas da imprensa radical americana, o presidente Trump prejudicou severamente sua credibilidade, algo que é essencial para o comandante em chefe. Ele precisa retirar sua acusação imediatamente", criticou o senador.

Segundo Trump, Obama ordenou a instalação de grampos para interceptar as comunicações da Trump Tower de Nova York, onde o então candidato republicano vivia e trabalhava na campanha. Na série de mensagens em que fez as acusações, o agora presidente comparou a denúncia com o escândalo de Watergate, que provocou a renúncia do presidente Richard Nixon em 1974.

"O presidente Trump deve ao povo americano e ao presidente Obama mais do que uma explicação, deve desculpas. Deve admitir que errou, parar com os tweets absurdos e trabalhar em nome deste país", continuou o líder democrata no Senado.

No entanto, em sua entrevista coletiva diária, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, reiterou que Trump não vai retirar as acusações e também não planeja pedir desculpas ao ex-presidente.

Schumer e Pelosi também pediram uma investigação livre sobre a influência da Rússia nas eleições do país. Hoje, Comey também confirmou que há uma investigação sendo realizada pelo FBI para entender se assessores de campanha de Trump colaboraram com o Kremlin para interferir no pleito de novembro.

"A existência de uma investigação do FBI de meses de duração sobre os laços dos funcionários de Trump com os russos confirma a necessidade de uma comissão integral, independente e bipartidária para revelar toda a verdade", disse Pelosi.

"A possibilidade de os funcionários de Trump terem conspirado com um adversário estrangeiro para influenciar em uma eleição americana representa uma grave ameaça para nossa segurança nacional e nossa democracia. O povo americano merece respostas", exigiu a líder democrata na Câmara dos Representantes. EFE