Democratas mantêm controle do Senado dos EUA e esmagam expectativa de onda republicana

A democrata Catherine Cortez Masto

Por Tim Reid e Kanishka Singh

PHOENIX (Reuters) - Os democratas mantiveram o controle do Senado dos Estados Unidos, dando uma importante vitória ao presidente norte-americano, Joe Biden, e extinguindo as esperanças da "onda vermelha" que os republicanos esperavam levar às eleições de meio de mandato.

Biden - que teve dificuldades com os baixos índices de aprovação antes das eleições de terça-feira, em parte devido à frustração do público com a inflação - disse que o desfecho de sábado traz otimismo para restante de seu mandato.

O líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, descreveu o resultado como uma "vitória e uma vindicação" para os democratas e sua agenda. Ele acusou o Partido Republicano de alimentar o medo e a divisão durante a campanha.

Os republicanos, contudo, permanecem próximos de assumir o controle da Câmara dos Deputados dos EUA, conforme as autoridades continuam contando as cédulas eleitorais.

Pode levar vários dias ou mais até que o resultado de um número suficiente de disputas pela Câmara seja conhecido, determinando qual partido controlará a assembleia de 435 assentos. Os retornos ainda fluíam para várias corridas eleitorais, incluindo muitas na Califórnia, que possui uma tendência liberal. Até a noite de sábado, os republicanos haviam conquistado 211 assentos, com 218 necessários para a maioria, à frente dos democratas com 205.

"O povo norte-americano rejeitou a direção antidemocrática, autoritária, desagradável e divisiva que os republicanos do MAGA queriam tomar para nosso país", disse Schumer em referência ao movimento "Make America Great Again" de Donald Trump, após a reeleição da senadora Catherine Cortez Masto em Nevada selar o controle do Senado para os democratas de Biden.

Os democratas controlariam o Senado, como têm feito nos últimos dois anos, com 50 de seus 100 assentos, já que a vice-presidente Kamala Harris detém o voto de minerva.

“FOCADO NA GEÓRGIA”

Se o senador democrata Raphael Warnock fosse vencer o segundo turno da eleição de 6 de dezembro na Geórgia contra o adversário republicano Herschel Walker, a maioria dos democratas de 51 a 49 daria a eles uma vantagem adicional na aprovação dos poucos projetos de lei que podem avançar com uma maioria simples, em vez dos 60 necessários para a maior parte da legislação.

"Nós estamos focados agora na Geórgia. Nos sentimos bem onde estamos", disse Biden neste domingo no Camboja antes de uma cúpula do Leste Asiático. "Estou incrivelmente satisfeito com o comparecimento."

Pairando sobre as eleições de meio de mandato de 2022 durante todo o ano está o ex-presidente Donald Trump, que usou sua popularidade contínua entre os conservadores de direita para influenciar os candidatos que o Partido Republicano indicou para as eleições parlamentares, governamentais e locais.

Com o desempenho medíocre dos republicanos – mesmo que ganhem uma estreita maioria na Câmara – Trump tem sido acusado de impulsionar candidatos que não conseguiram atrair um eleitorado amplo o suficiente.

Uma derrota republicana na Geórgia pode diminuir ainda mais a popularidade de Trump, já que assessores dizem que ele considera anunciar nesta semana uma terceira candidatura à presidência em 2024.

O resultado pode aumentar as chances de o governador da Flórida, Ron DeSantis, que derrotou seu adversário democrata na terça-feira, optar por desafiar Trump para a indicação presidencial de 2024.

Os democratas retrataram os republicanos como extremistas, apontando para a decisão da Suprema Corte de eliminar o direito nacional ao aborto e os centenas de indicados republicanos que promoveram as falsas alegações de Trump de que a eleição de 2020 foi fraudulenta.

O controle contínuo do Senado significa que os democratas ainda poderão aprovar os indicados de Biden, como juízes federais. Isso incluiria nomes para a Suprema Corte, caso apareçam vagas nos próximos dois anos, na bancada com uma maioria conservadora de 6 a 3.

Os republicanos da Câmara, caso vençam, prometeram tentar reverter as vitórias de Biden na luta contra as mudanças climáticas e querem tornar permanente uma série de cortes de impostos de 2017 que devem expirar. Eles também prometeram investigações sobre as atividades do governo Biden e investigações do filho do presidente, que fez negócios com a Ucrânia e a China.

(Reportagem de Tim Reid em Phoenix e Kanishka Singh, Richard Cowan e Jason Lange em Washington)