Democratas na defensiva diante do avanço dos republicanos em Nova York

Poucos esperavam que Nova York se tornasse um campo de batalha nas eleições americanas de meio de mandato nesta terça-feira (8), mas neste reduto democrata um apoiador do ex-presidente republicano Donald Trump ganha terreno e outras disputas-chave se tornaram mais renhidas.

Fatores que vão da inflação às percepções sobre a segurança pública têm fomentado disputas competitivas por assentos na Câmara dos Representantes em um estado que os democratas davam por certo, e onde a elevada participação da cidade de Nova York será crucial para evitar uma grande surpresa na disputadíssima corrida para governador.

A democrata Kathy Hochul, vice-governadora que em agosto de 2021 sucedeu Andrew Cuomo após sua demissão, acusado de agressões sexuais, desfrutou de uma vantagem confortável por volta de meados do ano, quando deu a entender que seu adversário republicano, o congressista Lee Zeldin, reverteria o direito ao aborto depois da decisão da Suprema Corte de revogar esta garantia em nível federal.

Mas em outubro, as pesquisas mostraram um avanço significativo de Zeldin, que votou contra a certificação da vitória do democrata Joe Biden na eleição presidencial de 2020, assim como a favor de restringir o acesso ao aborto e limitar o controle de armas.

"Penso que esta é a oportunidade mais realista para que um republicano vença um cargo estadual em Nova York" desde que o último governador do partido, George Pataki, ganhou há duas décadas, disse Jay DeDapper, do instituto de pesquisas Marist Polls.

Durante o fim de semana, os democratas levaram suas principais personalidades, incluindo o presidente Biden, a vice-presidente, Kamala Harris e o casal Clinton, para fazer campanha com Hochul, de 64 anos, a primeira mulher a se tornar governadora em Nova York.

Durante um comício de Hochul, Biden definiu a disputa eleitoral no estado como uma de muitas que vão determinar o destino da democracia americana. "É uma eleição entre duas visões fundamentalmente diferentes dos Estados Unidos", disse o presidente.

- Golpe no bolso -

No partido de Biden teme-se que o estado de Nova York possa estar fugindo de seu controle.

"Claramente não querem que os republicanos saiam pelo país, dizendo, 'Vencemos em Nova York'", disse DeDapper. "Esse é uma mensagem terrível para os democratas".

Mona Kleinberg, cientista política do Queens College, disse que o crescimento de Zeldin se deveu a mensagens duras contra a delinquência, que "realmente ressoaram entre os nova-iorquinos", que por outro lado se ressentem da situação econômica.

"A política nacional realmente se infiltrou na política local", disse Kleinberg. "As pessoas não estão votando apenas em Lee Zeldin e Kathy Hochul, realmente estão votando em até aonde querem que Washington vá".

Effie Cassar, uma mulher de 48 anos que chefia uma empresa de transporte em Long Island, votou duas vezes no democrata Barack Obama, mas em seguida optou por Trump.

"Todos com quem falo querem votar nos republicanos desta vez", disse à AFP. "Quando te batem forte no bolso, você tem que buscar um caminho".

- "Vácuo de entusiasmo" -

Zeldin, de 42 anos, não era muito conhecido antes de vencer as primárias para governador. Mas é bem financiado: o bilionário Ronald Lauder doou mais de 11 milhões de dólares para apoiar sua candidatura.

Os democratas agora estão na defensiva no estado de Nova York, onde estão em disputa nove assentos para a Câmara de Representantes, que poderiam ser fundamentais para inclinar a balança política do Congresso.

É uma guinada surpreendente para um estado onde os habitantes registrados como democratas correspondem ao dobro dos republicanos.

Kleinberg falou de um "vácuo de entusiasmo" entre os democratas, cuja participação potencialmente poderia prejudicar Hochul, especialmente nos redutos de tendência esquerdista, como Bronx e Brooklyn.

Além do apoio da cidade de Nova York, Hochul, uma democrata conservadora do norte do estado, região mais inclinada aos republicanos, vai precisar pelo menos de parte do apoio suburbano.

Jay Gingrich, do condado de Westchester, ao norte da cidade de Nova York, disse à AFP contar com que Hochul vença se os democratas tiverem uma participação ampla.

E se muita gente ficar em casa, Zeldin poderia vencer? "Não descarto [a possibilidade]", disse este neurologista de 62 anos.

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