Debate democrata mostra frente unida contra Trump

Por Ariela NAVARRO
Candidatos democratas durante debate realizado em Atlanta, em 20 de novembro de 2019

Os pré-candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos participaram na noite de quinta-feira do sexto debate, no qual deixaram claro sua união contra o presidente republicano, Donald Trump, um dia após a Câmara aprovar seu impeachment.

A apenas 45 dias do início da disputa interna, o debate voltou a mostrar as diferenças entre a ala mais centrista dos pré-candidatos, como o ex-vice-presidente Joe Biden e o prefeito Pete Buttigieg, e os políticos mais esquerdistas, como os senadores Elizabeth Warren e Bernie Sanders.

Apesar das divergências sobre temas como acesso à saúde, financiamento de campanhas e políticas externas, os ataques contra Trump conseguiram aglutinar os aspirantes à indicação democrata.

"Precisamos restaurar a integridade da presidência", afirmou o líder nas pesquisas entre os debatedores, o ex-vice-presidente Joe Biden.

Dos 15 pré-candidatos ainda em disputa, apenas sete cumpriram os requisitos para estar no debate hoje, na Universidade de Loyola Marymount, em Los Angeles.

Segundo a última média de pesquisas feita pelo site RealClearPolitics (RCP), Biden mantém a liderança da corrida, com 27,8%, seguido pelo senador Bernie Sanders (19,3%) e pela senadora Elizabeth Warren (15,2%).

O prefeito de South Bend, Pete Buttigieg, que despontou no debate anterior com suas propostas moderadas e sua desenvoltura midiática, encontra-se em quarto lugar com 8,6%. Em quinto, aparece o magnata e ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, que se somou há menos de um mês à disputa e tem 5,1% das intenções de voto.

Sanders criticou o governo Trump como "o mais corrupto da história moderna do país" e afirmou que o presidente vendeu as famílias da classe trabalhadora.

Apesar dos ataques contra Trump, alguns candidatos optaram por um tom mais otimista, diante do cansaço de muitos eleitores com o briga política nos Estados Unidos.

"O que vai acontecer em 2020 depende de nós", disse Buttigieg. "Esta é a nossa oportunidade de não nos deixarmos levar pela impotência".

O debate aconteceu um mês e meio antes do início das primárias, em 3 de fevereiro, em Iowa, quando começa um longo processo que terminará no meio do ano com a Convenção do Partido Democrata.

Neste processo, no qual à medida que os estados vão votando os diferentes candidatos vão somando delegados, são muito importantes os resultados nos primeiros a votar. Em Iowa, Buttigieg sai na frente com 22,5%, seguido de Sanders (19,3%) e de Biden (18%).

No próximo estado a votar, New Hampshire, a tendência se inverte, e Sanders é o favorito, com 19%. Atrás dele, estão Buttigieg (17,7%) e Biden (14%).

Um dia antes do debate, a Casa Branca apresentou um plano para permitir a importação de medicamentos a preços mais baixos do Canadá e de outros países, abordando um dos temas centrais na campanha: o custo da saúde e os problemas no acesso.

Sanders e Warren defendem um plano de cobertura universal Medicare para Todos, enquanto o ex-vice-presidente de Barack Obama e Buttigieg preferem manter as seguradoras privadas.

"Alguma vez você pulou uma dose de remédio, porque não podia pagar", disse Sanders no debate de quinta-feira, depois que surgiram vários casos de pessoas que morreram por não poder pagar a insulina, ou outros medicamentos.

O principal capital de Biden, 77 anos, é sua experiência e a promessa de que, se for eleito, o país voltará à normalidade, deixando para trás a polarização da era Trump. Com estas credenciais, Biden parece estar mantendo o apoio dos trabalhadores e das comunidades negras.