Democratas seguem apresentando acusações contra Trump após exibição de imagens violentas

Michael Mathes y Sebastian Smith
·3 minuto de leitura
Imagem projetada perto do Capitólio mostra os incidentes violentos de 6 de janeiro de 2021

Os democratas continuam a acusar Donald Trump nesta quinta-feira (11), após exibirem imagens da invasão do Capitólio, pela qual o ex-presidente está sujeito a um impeachment, acusado de ter incitado uma insurreição.

Legisladores democratas que atuam como promotores vão argumentar pelo segundo dia consecutivo que o ataque foi deliberadamente provocado pelo ex-presidente e lembrar aos senadores - e aos americanos que acompanham o processo - a violência que tomou conta do Capitólio em 6 de janeiro.

Na quarta-feira, a equipe mostrou aos senadores - muitos dos quais claramente perturbados - horas de apresentações gráficas e vídeos inéditos obtidos de câmeras de segurança e câmeras corporais policiais.

O ataque que deixou cinco pessoas mortas, incluindo um policial, ocorreu depois que Trump disse a seus apoiadores reunidos perto da Casa Branca que sua reeleição havia sido roubada.

No entanto, os advogados de defesa do ex-presidente - que apresentam seus argumentos ainda esta semana - dizem que o ex-presidente não pode ser responsabilizado pessoalmente pelo ocorrido e que o julgamento é inconstitucional porque ele não está mais no cargo.

As imagens exibidas na quarta mostraram o então vice-presidente Mike Pence, que estava no Capitólio para presidir a sessão de certificação da vitória eleitoral de Joe Biden, sendo conduzido por guardas para colocá-lo em segurança junto com sua família.

O líder da maioria democrata, Chuck Schumer, pareceu escapar por pouco de uma multidão turbulenta.

O senador Mitt Romney, um republicano que frequentemente se opôs a Trump, foi evacuado no último minuto por um agente quando a multidão se aproximava dele.

Imagens de outro setor mostraram os invasores entrando no gabinete da líder democrata da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, também alvo frequente da retórica inflamada de Trump.

"Nancy, onde está você, Nancy?", gritaram os manifestantes enquanto vasculhavam o local, sem saber que oito membros da equipe da legisladora estavam escondidos atrás de uma porta localizada no mesmo corredor. Pelosi já havia sido retirada às pressas.

"Sabemos pelos próprios manifestantes que se eles tivessem encontrado Pelosi, eles a teriam matado", disse Stacey Plaskett, uma das promotoras democratas e delegada da Câmara de Representantes para as Ilhas Virgens.

No segundo dia do processo, legisladores democratas atuando como promotores também acusaram Trump de se alegrar com a violência perpetrada por seus apoiadores, argumentando que este foi o ápice de meses de estratégia para desacreditar o processo eleitoral.

Depois de instigar seus partidários, Trump "renunciou ao cargo de comandante-em-chefe e se tornou o incitador-chefe de uma perigosa insurreição", disse o legislador democrata Jamie Raskin, líder dos promotores no processo no Senado.

- Republicanos permanecem leais -

Trump - que está na Flórida após deixar a Casa Branca - não aparecerá no processo e permaneceu em silêncio.

Mas o julgamento mais uma vez colocou o ex-presidente polarizador no centro dos debates nacionais e destacou a influência que ele ainda tem nas bases republicanas.

Alguns republicanos expressaram sua irritação com os manifestantes pró-Trump, criticando abertamente a recusa de Trump em reconhecer sua derrota para Biden.

A senadora republicana Lisa Murkowski, que critica regularmente o ex-presidente, disse que as evidências apresentadas até agora parecem bastante "incriminatórias".

"É claro que elas são poderosas", disse o senador Bill Cassidy, que junto com Murkowski, está entre os seis republicanos que se uniram aos democratas no apoio à constitucionalidade do julgamento.

Os democratas devem convencer 17 senadores republicanos de que Trump é culpado sob a acusação de incitação à insurreição se quiserem reunir a maioria necessária para condená-lo, algo que no momento parece improvável.

Marginalizado do Twitter e de outras mídias sociais, Trump tem poucos caminhos para expressar suas opiniões sobre o julgamento.

Mas reportagens indicaram que o ex-presidente ficou furioso na terça-feira durante a abertura do processo pelo que considerou um desempenho medíocre de seus advogados.

Ao contrário do primeiro julgamento de impeachment contra Trump há um ano, que durou três semanas, espera-se que esse processo termine em questão de dias.

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