Denúncia de estupro apresentada contra ministro do Interior francês é arquivada

O ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, voltou a se beneficiar nesta terça-feira (24) de um arquivamento judicial no caso da denúncia apresentada por uma mulher que o acusa de estupro em 2009.

O procurador-geral de Paris, Rémy Heitz, confirmou em nota a decisão do recurso, que clareia um pouco mais o horizonte político para este peso-pesado do governo do presidente Emmanuel Macron.

"Pela quinta vez em quase seis anos, a Justiça afirma que nenhum ato repreensível pode ser atribuído a Gérald Darmanin", disseram seus advogados, Pierre Olivier-Sur e Mathias Chichportich.

"Que surpresa!", ironizou a advogada da acusação, Elodie Tuaillon-Hibon, ao anunciar um recurso de cassação e, em caso de novo revés, uma denúncia perante o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Embora o caso o perseguisse desde 2017, o presidente centrista promoveu o então ministro das Contas Públicas à pasta do Interior em 2020, cargo que renovou em 2022 após a reeleição.

Sophie Patterson-Spatz, de 50 anos, o denunciou pela primeira vez em 2017 por fatos que teriam ocorrido em Paris em 2009, quando Darmanin fazia parte do serviço jurídico do partido de direita UMP.

Na época, a denunciante entrou em contato com o agora ministro para obter o seu apoio na revisão de uma condenação de 2005 por chantagem e telefonemas maliciosos a um ex-namorado.

Segundo a mulher, durante uma festa, ele deu a entender seu possível apoio por meio de uma carta que enviaria ao Ministério da Justiça, em troca de uma relação sexual.

Ambos admitem ter tido relações sexuais. Mas Patterson-Spatz diz que foi forçada a isso quando Darmanin, então com 26 anos, disse a ela: "Você também terá que me ajudar."

O ministro do Interior afirma que cedeu aos "encantos" de uma mulher "atrevida".

Após três denúncias arquivadas, a denunciante conseguiu que um juiz de instrução assumisse o caso em meados de 2020, mas sem sucesso.

Vários ministros de Macron estiveram envolvidos em acusações de estupro, apesar de o combate à violência contra as mulheres ser uma de suas promessas eleitorais.

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