As denúncias que levaram a desafio à liderança de Boris Johnson

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Boris Johnson
Festas durante lockdown estão no centro do escândalo que atinge Boris Johnson

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, conversou a portas fechadas por cerca de meia hora com seus correligionários do Partido Conservador nesta segunda-feira (6/6) para defender sua permanência no cargo. A conversa deu resultado para ele: em uma votação de confiança, Johnson recebeu 211 votos a favor de sua permanência no cargo - 148 parlamentares votaram contra.

Johnson pediu aos membros do Parlamento que a sigla não entrasse em uma "discussão fratricida sem sentido" e que "se recusasse a dar a satisfação aos oponentes de se voltarem uns contra os outros", conforme as informações do correspondente de política da BBC, David Wallace Lockhart.

Nas últimas horas, o premiê enfrentou (e venceu) a votação de uma moção de desconfiança que poderia derrubá-lo do cargo. Em regimes parlamentaristas como o britânico, a moção de desconfiança é o instrumento à disposição do Legislativo para questionar a permanência do chefe de governo no cargo.

Há meses Johnson está no centro de um escândalo apelidado de "partygate" envolvendo festas e comemorações durante o período mais estrito de lockdown na Inglaterra.

A presença do premiê e de diversos membros de sua equipe em festas durante o período de distanciamento social contra a covid-19 chegou a ser formalmente investigada.

A funcionária pública responsável por investigar acusações de violações de regras sanitárias por funcionários do governo, Sue Gray, examinou 16 eventos realizados entre maio de 2020 e abril de 2021 em Downing Street (a residência oficial do primeiro-ministro) e nos gabinetes ministeriais, além de uma comemoração realizada nas dependências do Departamento de Educação.

Um deles foi uma festa de aniversário organizada para o primeiro-ministro no chamado Cabinet Room (sala de reuniões ministeriais) em 19 de junho de 2020.

Divulgado no último mês de maio, o chamado relatório Sue Gray fala em "fracasso de liderança e de julgamento" e diz que, "sob o contexto da pandemia, quando o governo pedia que cidadãos aceitassem restrições amplas em suas vidas, alguns dos comportamentos ao redor desses encontros são difíceis de serem justificados".

"Alguns desses eventos não deveriam ter podido acontecer. Outros não deveriam ter podido evoluir como evoluíram."

O texto aponta ainda que o consumo excessivo de álcool em algumas das confraternizações "não é apropriado em um ambiente profissional em momento algum".

Johnson chegou a pedir desculpas diante do Parlamento "pelas coisas em que não acertamos e pelo modo como o assunto tem sido lidado".

"Não adianta dizer que as coisas foram feitas dentro das regras e não adianta dizer que as pessoas (de Downing Street) estavam trabalhando duro. Esta pandemia tem sido difícil para todos. Pedimos às pessoas que fizessem sacrifícios extraordinários e entendo a raiva das pessoas. Mas não basta pedir desculpas. Temos de nos olhar no espelho e aprender. (...) Acato as descobertas feitas por Sue Gray por completo e sua recomendação de que aprendamos e ajamos agora."

"Estamos fazendo mudanças na forma como Downing Street e os gabinetes ministeriais funcionam, para que possamos seguir com o trabalho a que fui eleito a fazer", concluiu.

Desde então, membros do parlamento vinham protocolando pedidos para que se realizasse uma moção de desconfiança contra Johnson. Nesta segunda, o número de cartas enviadas por congressistas do Partido Conservador chegou a 54, ou 15% do total de legisladores da mesma sigla do premiê - o limite estabelecido pelas regras do partido para que o processo seja iniciado.

A votação ocorreu nesta segunda entre 18h e 20h do horário local. Johnson precisava de 180 votos para se manter no cargo. Se não obtivesse essa maioria, o Partido Conservador terria que apontar outro nome para liderar o partido e assumir a posição de primeiro-ministro.

Nos últimos dias, uma das principais aliadas de Johnson, a secretária de cultura Nadine Dorries, tem dito que Johnson é vítima de fogo amigo dentro da sigla e que alguns de seus correligionários estariam "fazendo o trabalho da oposição".

Em entrevista à BBC Radio 4 na última semana, Dorries afirmou existir uma campanha "liderada por um ou dois indivíduos nos bastidores para tentar derrubar o primeiro-ministro por razões individuais ligadas a ambição pessoal e outras razões".

Nesta segunda, ela trocou farpas nas redes sociais com Jeremy Hunt, membro do Parlamento pelo Partido Conservador e uma das vozes bastante críticas a Johnson.

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