Dengue: tudo que se sabe sobre a nova cepa detectada no Brasil

A Fiocruz anunciou que uma nova cepa da dengue foi identificada pela primeira vez no Brasil, na cidade de Aparecida de Goiânia, em Goiás. A linhagem chamada de cosmopolita do sorotipo 2 é a prevalente no mundo, presente na Ásia, no Pacífico, no Oriente Médio e na África. O caso foi identificado em fevereiro mas referente a uma amostra colhida em novembro do ano passado de um homem de 57 anos, que se recuperou da doença. O registro foi relatado às autoridades de saúde.

É a segunda vez que a cepa é registrada oficialmente nas Américas, depois de ter provocado um surto no Peru em 2019. O vírus da dengue tem quatro sorotipos: 1, 2, 3 e 4. Cada um deles pode ser subdividido por suas mutações em diferentes linhagens, que também são chamadas de genótipos. A nova cepa detectada no país é uma das seis linhagens conhecidas do sorotipo 2, e leva o nome de genótipo cosmopolita.

Segundo a Fiocruz, há indícios de que ela tem maior transmissibilidade que a versão atual do vírus que circula no Brasil, a linhagem asiático-americano, também do sorotipo 2, o que preocupa os pesquisadores.

“Ainda não sabemos como será a proliferação do genótipo cosmopolita no Brasil. Mundialmente, ele é muito mais distribuído e causa mais casos do que o genótipo asiático-americano, que circula no Brasil há anos. O quadro global indica que a linhagem cosmopolita tem capacidade de se espalhar facilmente”, afirmou o coordenador da pesquisa que identificou o caso, Luiz Carlos Júnior Alcantara, pesquisador do Laboratório de Flavivírus do IOC/Fiocruz, em comunicado.

Além disso, em entrevista ao g1, a superintendente de Vigilância em Saúde de Goiás, Flúvia Amorim, chamou a atenção para quadros mais graves da doença decorrentes da infecção pela mutação que chegou ao país.

“Ela pode fazer com que o organismo da pessoa tenha uma doença mais exacerbada, principalmente com diminuição de plaquetas. A pessoa pode ter derrame pleural no pulmão de uma forma mais exacerbada", disse Flúvia.

De acordo com as informações sobre o caso, publicadas na plataforma de pré-prints (artigos ainda não revisados por pares) medrxiv, o paciente de Aparecida de Goiânia teve febre, náuseas e dores nos músculos, ao redor dos olhos, na coluna e na cabeça.

Apesar do cenário de preocupação, os pesquisadores da Fiocruz acreditam que o processo de detecção da variante, considerado rápido no caso do Brasil, pode ajudar a conter a disseminação do vírus não só no país, como na América de uma forma geral.

Para isso, eles alertam para a importância da vigilância genômica, processo que identifica as cepas em circulação, e para o combate ao mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. Para isso, são necessárias medidas como a eliminação de depósitos de água parada, que funcionam como criadouros para o inseto, por exemplo.

De acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, até o dia 30 de abril foram registrados 654.800 casos prováveis de dengue no Brasil, um número 135,1% maior em relação aos diagnósticos realizados no mesmo período do ano passado. Porém, a curva está em queda há três semanas.

A região centro-oeste é a mais afetada com uma incidência três vezes maior de casos da doença em relação à média do país. No entanto, a Fiocruz descarta que surtos anteriores na região tenham sido motivados pela chegada da nova mutação, uma vez que os sequenciamentos genômicos não apontaram a presença da variante em outros casos.

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